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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

E fomos

O caminhar ligeiro era interrompido pela dor, o conhecimento descompessado de quem não quer. A luz no lado certo, o frio da parede em minha pele leve e dura. Nela, os ossos. Nela, eu.
Eu não saberia dizer se em meus olhos havia dor, nojo ou prazer. Muito menos onde um começa e o outro termina. Seu corpo, que poderia e talvez seja o meu, tremia. Tremiamos. Os musculos retesados pelo pavor de não ser o que quer. Ou quer? Queremos? Qual o limite da inexistência, o limiar do homem? Somos pele, osso e corpo, ou alma e razão? Eu poderia responder com muito, mas todas as palavras me parecem fúteis e inuteis. Tanto para mim, quanto para ele. Porque somos iguais, apesar do sexo doente e dos olhos meio mortos. Somos, eu e ele; meras sombras do querer ser.
E foi. E fomos.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Corridas rumo ao mesmo

Eu só queria correr. Ir longe, para o mais longe que minhas pernas sozinhas conseguissem chegar. Longe da cidade, das pessoas e dos relacionamentos. Sem palavras, chaves ou palavrões nas paredes. Apenas eu, o céu e o pouco que me resta. Queria correr pelo campo e não me preocupar com os cortes em meus pés ou braços. Só correr e correr mais um pouco. 
E, por incrível que pareça, esse seria o meu ato mais corajoso. Fugir seria meu último grito de coragem. O grito de coragem que não acontecerá, porque continuarei aqui. Nessa cidade, com essas pessoas e com esses relacionamentos. Continuarei exatamente aqui.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dando replay

Existem coisas tristes por aqui. Estou cansada, muito cansada. Em minhas costas, nada além da roupa que cobre meu corpo, mas sinto que há algo enorme aqui atrás. Algo me puxando, me puxando, me tragando como o último cigarro da cartela daquele velhinho da esquina. Não vejo futuro nisso. Nem naquilo. E estarei sozinha, independente de quem seja a pessoa. Não importa seu sexo. Seu status. Sei o fim disso. Sei o fim daquilo. Assisto à tudo como um filme desastroso, triste e choroso. Desculpas por ser tão rude. Desculpas por ser tão fraca. Não consigo me afastar, mas sei que nada me aproximará. Só resta esse aperto no peito - de novo. E de novo. Como o replay de um filme que não quero ver.
Por que eu não canso disso? Por que esse destino invisível não pára de brincar comigo? Não faça isso. Não. Por favor. Só não faça isso de novo

domingo, 13 de abril de 2014

Punhado de palavras

Te ver me causa dor
    Por que dói tanto?
Não devia. É errado.
   Sujo. Sou eu.
Por que tanto amor,
   se eu sei que você
não ama a mim?
   É justo?
      Justiça divina.
 Sujeira destinada.
     Dor merecida.
Quero um remédio,
paz
   E um pouco de
        espirito.
  Mas não mais
      o gostar.
  Não mais o
      querer.
   Não mais o
    sofrer sem
  o bem querer.
 E é justo que
me olhem com
   tanto amor?
   Tenho pena,
dói também em mim.
  Um me desculpe
 será o suficiente?
   Um me perdoe
   surtirá efeito?
Não há poesia em mim,
 muito menos bondade,
   Apenas confusão
e um punhado de palavras.



"Obrigado 
Por ter se mandado 
Ter me condenado a tanta liberdade 
Pelas tardes nunca foi tão tarde 
Teus abraços, tuas ameaças

Obrigado 
Por eu ter te amado 
Com a fidelidade de um bicho amestrado 
Pelas vezes que eu chorei sem vontade 
Pra te impressionar, causar piedade

Pelos dias de cão, muito obrigado 
Pela frase feita 
Por esculhambar meu coração 
Antiquado e careta 
Me trair, me dar inspiração 
Preu ganhar dinheiro"
- Obrigado (Por ter se mandado),
Cazuza

quarta-feira, 26 de março de 2014

A flor do mal

"Eu quis você
   E me perdi
Você não viu
E eu não senti"
- As flores do mal,
Legião Urbana
Alguns perguntariam o que estou fazendo aqui.

A resposta é muito menos romântica e sonhadora, se for saída do fundo de minhas entranhas. Estou aqui, caro leitor ou leitora distraída pelos desalentos da vida, porquê sou estúpida. Boba demais para fugir, presa demais ao que o meu - tão estúpido quanto esta quem vos escreve - coração grita em meus ouvidos. Boba, besta, esperançosa... O MPB parece definir minha essência, aquela que eu menos quero para mim. Bem, minha dor ao menos tem bom gosto.

       A razão fala para mim coisas que ignoro há mais passagens de lua do que eu e os Maias conseguimos contar. Eu achava, sinceramente, que eram dias, mas o calendário da parede marcam muito mais que uma dezena de semanas desde aquele dia. E - ai de quem duvide! -, séculos já podem ter sido cruzados. Em um segundo, o infinito. Aquele dia. O dia que não cabe no infinito. O infinito que não comporta, suporta ou se importa com os pequenos grandes momentos.

Sim, aquele dia.

E, sim, estou falando daquele dia em que conheci você.

Não precisa olhar para trás ou para os lados. O acusado desse crime cruel é você mesmo. Sem tirar ou pôr. Sinta-se julgado. Não culparei o destino, esse pobre inocente. O que ele fez? Não. A culpa, a inatural dor, é do homem. Afinal, a natureza do estar vivo nada mais é do que um grande paraíso doce, e de estragar paraísos quem entende é o homem.

E, pois é, nesse exato momento eu estou parecendo tão louca quanto as vozes que ouço. Estou tonta, diria que um pouco bêbada. E não mais me importo com meu porco português, porquê há algo que suplanta qualquer sentimento, não importa a importância e força deste último. A raiva. E a estupidez.

Minha estupidez é quase um ser vivo, algo que se alimenta do resto de meu corpo enquanto cresce, evolui como um bicho. Perceber isso talvez seja um sinal de uma mínima razão inteligente minha, mas quem garante? A raiva e a estupidez estão brigando agora, uma guerra territorial que eu, me perdoe, não quero mais interferir. E para quê? Onde colocar a esperança num território tão hostil e frustrante?

No entanto, mesmo assim, cá estou eu. Sendo estúpida, amando estupidamente. A esperança rastejando pelo meu corpo, enquanto a raiva e a razão tentam se estabelecer no resto. Sou besta, eu sonho. Burra, tenho fé. Duas faces de mim - eu mesma.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Destino solitário.

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Sozinha novamente. Ouço barulhos de fora, outros de dentro, todos se musicalizando numa dança incerta e perturbadora. A solidão corroi o peito, traz lagrimas aos olhos e, por fim, me tira o sono e a vontade de continuar acordada. Todos estão muito longe, e se distanciam cada vez mais. Não adianta me agarrar á elas... O que resta é apenas as lembranças do que tive, e a certeza do que perdi. Eu poderia confessar meu amor à cada pessoa, dizer à elas tudo o que sinto quando se vão... Mas isso adiantaria?
A solidão sempre vem.
A solidão é um destino, não importa qual o caminho a ser usado.

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Passando para dizer que não morri, muito menos minhas palavras, haha. Escrevi coisas, só não tive força de vontade de postá-las. Tentarei voltar, então. Sem promessas. São só palavras.

Ja nee.

domingo, 10 de junho de 2012

Mais uma lógica.


Miseravelmente, tento encontrar palavras para a confusão de ideias difusas que me tomam. Ouço algum rock alucinante, viajo em algum solo de guitarra, deixo-me levar por um tempo. A ausência de palavras me incomoda. Sem elas, sinto-me vazia, apesar de tão cheia.

Cansei de ideologias. Cansei de história. Quero algo novo, que não exista. O futuro? Talvez. Quem sabe. Não acredito nele, de qualquer forma. Palavras bonitas não libertam nada; estamos todos presos no velho sistema do viver.  Comer, dormir, acordar e comer de novo. Não enxergo liberdade... bem, não enxergo nada, de qualquer forma. Estou cega em meu próprio mundo, e agora percebi o quanto estou distante da realidade. Até quando poderei viver assim? Deito-me na cama, aumento o volume do mp3; a música me chama, me tira do que sou, até que não estou mais aqui. E até quando poderei ficar lá? A música acaba. Me descubro num mundo no qual não participo.

Volto ao inicio e gemo. É a velha arte do dizer tudo sem dizer nada. Qual era minha inicial ideia? Talvez ela nunca tenha existido. Já fui daquelas de pensar coisas concretas. Hoje, me contento com ficção sem pé nem cabeça. Não tenho mais caminho. As palavras seguem apenas correntezas.

Me ponho, então, a pensar em coisas da vida. Nada sai de mim. A guitarra grita em meus ouvidos, fecho os olhos e esqueço todas as palavras que me abandonaram nessa noite. É estranha, essa solidão. Tão falsa, mas tão forte. Sim, falsa. Por que não? Sinto-a, mas, as vezes, penso que isso é drama de cérebro confuso. Talvez a solidão não exista. Portanto, ela é falsa. Como todos os sentimentos; falsa.

A frieza corrompe. Sinto-me corrompida. É estranho, confesso. Gramaticalmente, sei que as palavras estão certas; mas elas parecem tão erradas. E o que isso tem a ver com a frieza? Meu caro, eu não sei. Me perdi. Estou perdida, me achando em mais outro solo de guitarra.

Um grito. Calma. É só uma música.

O medo corta. Viver dá medo. A lógica das coisas me fascinam. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Burguesia


"A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra"
- Cazuza


Estamos num jogo, e há muito somos os perdedores. Num jogo de política, poder, sujeira. Mesmo de tão longe, consigo sentir o cheiro podre da burguesia e sua falsa preocupação, sinto o odor das mentiras e da hipocrisia. E, o outro lado, o lado de cá, nunca muda; estamos de volta à era medieval, à época de colônia, onde nada se movia, nada mudava, tudo era o mesmo sempre e para sempre. Ou talvez, e o que é mais provável, nunca tenhamos saído da era de colônia, da época em que os escravos eram escravos e os nobres eram nobres. Somos os mesmos. Somos como nossos pais.
                A vida é injusta? Não. A população é ignorante, inocente e não sabe jogar. Esse jogo é para os espertos, esse jogo é para quem sabe roubar. O Brasil é uma piada medieval, um livro bonitinho mas falso. Belezas naturais? Certamente, elas devem existir, em algum lugar. Em algum lugar, por detrás dos lixões, por detrás da falta de educação e descaso. Porém, sim, elas devem existir. E, enquanto os ricos continuam ricos e solitários, e os pobres continuam com o estomago vazio, o governador continua barganhando com suas mentiras, como se fosse alguém mais do que um fantoche. Democracia? Não me faça rir! Os poderosos podem ser tudo, menos democrático.
                Até quando viveremos como prisioneiros de nosso próprio lar? Quando acordaremos e tiraremos do poder todos esses burgueses fedidos e podres? O que estamos esperando? A justiça, a mão de Deus sobre nós? Nenhum ser divino poderá nos salvar dos dedos nodosos de nossa presidenta e de nossos governantes. Deus não existe para isso. Nós – nós que os colocamos no poder – é que temos de arrancá-los de lá, usando unhas ou usando dentes. A arma está nas nossas mãos... só falta usá-la.
                Aos políticos, meus mais íntimos algozes, digo uma coisa: esperem pelo troco, pois ele virá. Se acham que poderão aumentar seus próprios bolsos para sempre, dando esmola aos pobres trabalhadores como se fossemos indigentes, estão enganados. O poder estraga as pessoas, estraga os lugares, mas não os torna melhor ou pior do que ninguém... Vocês irão morrer, como nós, suas carnes apodrecerão, como nós. Quem sabe, no seu enterro não vá ninguém, todos estarão brigando pela maior parte da herança, em algum escritório à mil quilômetros de seu túmulo. Quem sabe vá alguém, com seus óculos escuros para esconder a falta de lagrimas e a insinceridade. Talvez eu deva dizer que os burgueses se merecem. Pois é assim que as coisas são.
                É assim que vai ser.
                Mas, talvez, não sejamos capazes de parar a burguesia... Porque todos, eu e você, temos vontade de sermos burgueses. 
                Não podemos parar aquilo que admiramos. 

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Acho que o texto não abre alas para meus próprios comentários.
Talvez eu devesse só informar que escrevi o texto pensando em duas músicas, apesar de serem do mesmo cantor: Medieval e Burguesia, ambas de Cazuza.
Para quem não acredita que os políticos sejam tão... mesquinhos (usando uma palavra bonitinha)... Aqui vai uma coisa. Leia essa notícia do jornal: Aqui.
É assim que são, não só os políticos, todos os brasileiros.

De alguma forma, todos somos burgueses.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Cansei de não ter um bom título.


Com o tempo, você cansa.
Sente aquele cansaço de estar cansado, aquele cansaço de não estar no lugar certo; e isso se deve mais ao fato de estar aqui do que o de não estar lá. Aqui ou lá, não adianta, nunca será suficiente. O cansaço vem bater à porta, independente dos advérbios de lugar que você usar.
Você cansa de acordar todas as manhãs planejando mil e uns futuros, e cansa ainda mais de ver seus sonhos matutinos serem desintegrados pelo calor do sol ao meio-dia. Você cansa de julgar as pessoas e ver que seu julgamento não é nada mais do que errado, incompleto, futilmente humano. Você cansa dos verbos; cansa de verbalizar.
 Sim, você cansa.
 Mas cansar, mais do que amar ou morrer, é humano. Mais do que sorrir ou chorar, cansar é normal. Somos homens e mulheres, devemos cansar. Cansar da rotina, cansar de não estar parado, cansar da velha casa, cansar da casa nova. Devemos cansar do ser ou não ser, da questão e da resposta.
Sempre vamos nos cansar.
                Nascemos para estarmos cansados. Cansamos porque nascemos, e estamos definitivamente vivos, respirando, porque estamos cansados.  Cansamos de depender do ar, de sentir o coração bater. Cansamos de tentar, cansamos de conseguir, cansamos de não ter, cansamos de ter demais. Cansamos e cansamos.
                Porém, me pergunto vez ou outra, na calada de uma madrugada cansada, se não podemos simplesmente parar de cansar. Afinal, não estamos cansados de estarmos cansados? Me pergunto se não poderei viver feliz, viver sem o cansaço; porque.... as vezes.... mas só de vez em quando mesmo, o cansaço se mistura e se confunde com a tristeza, então não sei mais se o torpor do corpo é de simples cansaço ou pura infelicidade. Talvez porque, acima de tudo, estamos cansados dos sentimentos, dos sentires e palpitares do peito.
                Mas cansar é necessário... Se não fosse, não estaríamos cansados.
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Está ai mais um textinho minusculo, postado mais para não perder o costume de postar do que por outro motivo. De onde veio a ideia do texto, não sei muito bem. 
Sobre o titulo da postagem... Bem, cansei de botar simbolos (***) nos títulos da postagem. Haha. Acabei levando muito literalmente, e meu cansaço de não ter criatividade para títulos acabou virando o próprio título!

Estou pensando em ideias para novos contos, mas nada está muito confirmado de que os escreverei. Porém, alguém gostaria de me dar alguma ideia...? Albert, alguma coisa a sugerir...? (haha, eu podia começar pela sua estória, né? Só acho que meu "talento" não é adequado para escrever uma estória tão boa quanto  sua. [:  )

Beijos!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Layout novo + Love Chronicle 1 - Henry

Olá! Quanto tempo, não? Haha. Notaram algo diferente...sei lá, no layout, talvez? [: Depois de tanto tempo, tomei coragem para fazer outro visual para o blog. Bem, aproveitando esse momento de coisa nova, trago para vocês, um texto que não é meu, mas de um amigo que me pediu para postá-lo aqui. Ele escreve muito bem, e é muito mais poeta que eu #Fato (haha), e espero que gostem. Na verdade, se trata de uma série de textos, que postarei aos poucos e intercaladamente com meus próprios textos, e todos dessa série contam uma estória diferente - estranhamente interligada, as vezes me parece.
         Então, aproveitem [:

Love Chronicle 1 - Henry
(Autor Suzaku-kun)



Estávamos na estação de trem. Era noite e fazia frio, ao menos no meu coração. Foi o dia em que disse adeus.
Prometi que iria ficar com você não importa onde.
Prometi ser seu.
Prometi te proteger.
Prometi que a neve não iria te fazer mal, o sol nunca ia te magoar.
Você me prometeu o seu coração, que ele ficaria ao lado do meu.
Por isso levou o meu amor junto com você.
Eu te amo e sempre te amei.
Você me amava?
O que houve com você?
De repente está chorando, me abraça, diz que não dá mais.
Tudo foi embora, ela se machucou demais.
Então, vai ser assim?
Vamos nos amar para sempre, você disse.
Isso deve bastar para afastar a solidão, certo?
Dias inquietantes passei...
Meses insuportáveis vivenciei...
Devia ter ido embora há muito tempo, pensei.
Voltei à estação de trem. Lembrei-me de novo do exato momento em que disse adeus.
Lá te encontrei, mais uma vez.
Estava frio, você estava na frente do trem.
Gritei.
Pedi para que voltasse; que tudo ia voltar ao que um dia já foi.
Disse que ainda te amo.
Mas você não tinha mais amor ou vida em seus olhos.
Olhou para mim como se não visse nada além de mim e mesmo assim não me enxergou.
Você perdeu o meu amor.
Você perdeu o seu amor.
Adeus.
Seu último adeus.
O trem passa, e leva seu corpo vazio junto.
Estava chovendo.
Não sabia para onde ir.
Estou tão completo.
Sinto que senti tudo que tinha para sentir na vida.
Mas não é tudo que eu queria.
O que eu queria não existe mais.
Devo morrer em paz.
Sim.
A vida faria sentido se ao menos a minha morte fosse feliz.
Devo olhar quem me segue...
Seria a morte?
Seria um futuro, próximo de mim?
Eu sei o que procuro.
E ela está tão perto...
Sua alma já estava lá há algum tempo.
Agora seu corpo se foi; junto com minha alma.
É a vez do meu corpo.
Encontrei o caminho...
Estranho, agora a sombra perseguidora sumiu.
Estou próximo de tudo que mais desejo.
Talvez a paz?
Cheguei.
Mas, o que devo fazer?
Olho para trás, e vejo o corpo de um rapaz esfaqueado.
Vejo também uma bela moça.
Sem pestanejar arranquei a faca da mão dela...


sábado, 7 de janeiro de 2012

***


Eu tinha muito o que dizer, mas acabei calando-me sem dizer nada. É melhor assim, não? Talvez. Quem sabe.

O ano novo começou... Sim, mais outro. Eu pensava em pôr no papel palavras bonitas, um montão delas, que dessem esperanças à pessoas que nunca vi e  à outras que já vi demais, e não me canso de ver, também - gosto mais delas, e, sempre e sempre, minhas fragéis palavras se dirigem à estas almas. É certo, as palavras transformam. E transformar é fascinante, sei disso. Gosto de ver como as palavras conquistam, como emocionam, como fazem feliz. Gosto de escrever, e escrevo por isso, escrevo pelos leitores. Mas, sobre o ano novo, não tenho o que dizer. Não tenho à quem dirigir palavras.
Sim, sem palavras bonitas, sem falsas esperanças e sem vírgulas enfeitadas. Melhor ainda, sem pontos finais. Sim, que o texto continue sem nada mais do que a realidade, e que ela não te desagrade. Por quê sentir-se chateado com a vida? Ela é boa, muito boa! Com as tristezas e infelicidades, ela é perfeita. O ano novo, como no anterior, será cheio dela - cheio dessa vida tão contínua e impontuável -, e será bom aproveitá-la (de novo). Por quê não? Se me é concedido mais um dia, creio que é bom que eu o viva. Viver é bom. É necessário. Estamos aqui para isso, não? Esse é nosso ofício, viver é nossa função. Nada mais importa; não desejo, à você, riquezas ou saúde, nesse novo ano. Desejo que você viva. Viva e que continue a viver. Não importa se está enfrentando uma doença terminal, ou se está à ponto da falência, ou se já lhe tiraram tudo (até o amor)... Não importa. Espero que você viva. E que queira viver.
Acredite... Quem está dentro, quer sair; mas quem está à ponto de ser jogado porta afora, quer desesperadamente se manter dentro. Por isso aproveite. Por isso viva. Viva e continue vivendo. Esse é meu desejo para você. Esse é meu desejo para mim mesma. Que vivamos juntos. Que escrevamos esse livro de mãos dadas, com os dedos entrelaçados e os corações unidos. Isso é o que podemos fazer, para sobreviver à inexistência das palavras bonitas... É o que podemos fazer para sobreviver à realidade e sua presença inesquecível. Não estamos num conto de fadas, mas que possamos falar e escrever, que possamos transformar esse conto num conto feliz. Sim, que vivamos, e que sejamos felizes por estarmos vivos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Capitalistas, não humanos.

Vamos celebrar a estupidez humana, 
A estupidez de todas as nações,
Nosso país e sua corja de assassinos
covardes, estupradores e ladrões.
Vamos celebrar a estupidez do povo,
Nossa polícia e televisão. 
Vamos celebrar o preconceito, 
e o voto dos analfabetos.
- Perfeição, Legião Urbana


Um dia, eu vi num livro a palavra humano. Desde lá, nunca soube o que valia, ou melhor, o que significa essa palavra. Sempre aceitei as pessoas como se fossem músicas, apesar de incompletas. Ouço-as sempre, quando saiu de casa. É magnífico, de uma forma estranha. Porém, e apesar de tudo, ainda não sei o que é ser humano. O que é ser homem ou mulher.
                Alguém me disse - uma voz longe e penetrante - que uma música sem melodia, é uma poesia cantada, e uma música sem letra, uma melodia tocada. Quando saio nas ruas, caminho entre os becos largos, cheios de carros, e ouço diversas destas poesias cantadas, e melodias sem letras. Ouço, e tudo se completa como uma orquestra, uma orquestra mal administrada, misturada. Não há sentido naquilo que não podemos fazer entender, mas eu sei que você sabe que sabemos que é necessário existir tudo, mesmo aquilo que não conseguimos entender. Se o mundo fosse diferente, e nós não fossemos humanos, mas aliens, como seria a vida? Cheia, ou vazia?Sem mim, ou sem você, como seria o mundo?
                Alguém, alguém jovem e cheio de sonhos, disse que apenas um de nós é necessário para mudar o mundo; disse-me que as palavras, as letras perfeitas que se juntam harmonicamente, transformam o universo, mudam o teor do livro. Se nossa língua fosse outra, se as palavras fossem diferentes e a ordem das coisas fosse inversa, como seria a existência? Os sonhos seriam sinceros? Seriamos boas pessoas?
                Alguém, uma pessoa estranha e saída de um universo que parece paralelo à um paraíso de bondade, me disse uma vez: todos somos bons. As pessoas são boas, o mundo que é vil. A esperança está aqui, nas palavras. Como uma oração, peço à algum ser místico que seja verdade, que o as pessoas sejam mesmo boas. Mas ai lembro que quem matou o filho, não foi o mundo... Quem roubou o dinheiro guardado por toda uma vida de alguém que trabalhou muito pra aquilo, não foi o mundo. Humanos. Humanos são bons? O que devo aceitar como bondade, amor ou piedade?
                Alguém, e não conheço essa pessoa, disse que os homens devem se amar, devem se perdoar e se ajudar. Dizem que essa pessoa foi grande, mas as mesmas bocas que se abrem para dizer que Aquele homem foi o maior de todos, também se abrem para afirmar (com toda convicção) que um homem bilionário é genial, um grande homem. Porque o dinheiro é igual ao que a pessoa é. Se você não tem dinheiro, você não tem o seu valor. O seu valor é o que você tem. Como posso acreditar em pessoas que afirmam que Aquele homem, o que pregava o amor, era grande, se, ao mesmo tempo, muitos outros também o são por causa do dinheiro? Não sei o que eles querem dizer com “grande homem”, então. Não sei o que eles querem dizer com “meu ídolo”, ou “essa pessoa é demais”, ou ainda “que pessoa gentil”. Porque as palavras, os adjetivos, já são vazias demais.  São tão ocas quanto as pessoas e suas músicas incompletas, que ouço todos os dias, nas avenidas e nas lojas cheias.
                Mas, afinal, devo aceitar. Porque sou capitalista – somos capitalistas. Capitalistas, não humanos. Não somos homens, não precisamos amar; somos objetos de uso das industrias, e objetos não precisam sentir piedade. Agora entendo. Sim... Agora sei por quê não mudamos e nem transformamos o mundo; sei por quê são raras as pessoas com bondade genuína e por quê quase nunca vejo o amor. Sei por quê as pessoas se casam, prometem fidelidade, e se separam; sei por quê as pessoas se matam por dinheiro, e os chefes tratam os funcionários como vermes. Sei por quê. Porque somos capitalistas, não humanos. Sim, capitalistas, não homens ou mulheres, apenas capitalistas – pessoas que trocam dinheiro por sentimentos e humanidade.  

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Faz algum tempo que não escrevo nenhum texto desse tipo. Geralmente os escrevo enquanto converso comigo mesma, e, é, acho que eles são apenas diálogos que saem de mim para mim mesma. Não sei se consigo me fazer entender com oque escrevo... Sei que esse texto saiu com uma qualidade duvidosa, e, devo acrescentar, o que eu disse não é exatamente uma critica... É um constatamento de fato. Não adianta negar, e acho que não é um pouco impossível tentar mudar.  Nosso mundo inteiro, mesmo os países socialistas - que não são muitos -, é capitalista em sua mais profunda essência. Então não adianta negar.
         
Albert-nii-chan, dessa vez postei algo bem rápido aqui, não? ^^'
Ja nee. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

***


"Em cima dos telhados as antenas de TV tocam música urbana,
Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres
cantam música urbana,
Motocicletas querendo atenção às três da manhã -
É só música urbana."

A cidade, pela manhã, está sempre bonita. O sol parece fazer milagres, ele é como uma maquiagem. Pela manhã, tudo é lindo. Pela manhã, tudo é falso.
                As sete da manhã, sombras sonolentas saem de casa. O barulho dos carros é como uma maquina hipnótica. Os olhos sempre vazios, coloridos como faróis de carro, remetem o interior confuso das pessoas. Me pergunto se as almas estão ali, se elas existem ou onde estão. Aqueles lábios vazios de palavras, que vomitam frases descontroladas, parecem não saber o que dizem. “Quanto menos palavras temos, mais falamos”. Isso é verdade. E as palavras tornam a se repetir, novamente, antes de eu fechar os olhos e viver no meio dos zumbis. No meio de você e companhia.
                Sou uma pessoa utópica, puramente sonhadora.
                Não quero ver quem está do meu lado, por isso todos me parecem sempre invisíveis e comuns. Eu digo: vocês são fúteis. Mas é mentira. As pessoas são complexas. Se vestem todas iguais e falam quase a mesma coisa, como se tudo fosse programado num sistema computadorizado, mas são profundas como livros manuscritos. As letras garranchosas são difíceis de ler, a caligrafia é infantil.
                Um mundo vazio de almas e pessoas, é uma mentira, um sonho particular meu. As pessoas estão ali, em todos os lugares, mas ignoro-as. Elas, por vezes, me entediam com um papo qualquer sobre futebol e roupas de grife; todos se entendem muito bem, a conversa parece ser mais fácil quando não temos o que dizer e dizemos mesmo assim. Talvez a futilidade que acuso, não pertença à elas, mas à mim. Afinal, até isso faz mais lógica.
                Eu que continuo fingindo cegueira, fingindo não ver à você, fingindo não ver a quem existe.
                Mas será que sou só eu?
                A mentira é real, está aqui. As paredes brancas se tingem com uma cor pecaminosa, enquanto o erro cresce. A sinceridade tornou-se uma brincadeira fictícia, e eu não sei brincar. Talvez eu deva aprender. Talvez eu deva brincar também.
                E as palavras se repetem.
                Isso é uma canção, e o refrão é como o rosto de quem eu vi aqui, e na esquina, e em todo lugar. A canção é profunda, mas não tenho capacidade de entende-la. Sei que ela existe. Posso ouvi-la, mesmo de longe. A música confusa continua tocando, mesmo em meus sonhos. O violão se escondendo por trás da bateria, e a bateria sobrepujando a força da guitarra. O som me lembra violência, rebeldia. Espero que ela acabe de tocar, não gosto do que ela faz. Os sangues escoam pelas vielas, enquanto pessoas perdem vida, e a bateria toca com desespero. A musica que ouço no rosto de cada pessoa, de cada livro vivo, é a musica da dor, da vontade de fazer doer.  Não quero mais ouvi-la. Espero que o ultimo acorde da musica soe antes que todos os homens se destruam com sua vontade de construir algo melhor que o que já possuem.


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Desculpem-me o tempo sem postar, é pura e simples falta de inspiração. Sei que o texto que escrevi não faz muito sentido, e talvez precise de um pouco de interpretação pessoal... Enfim. Sinto que acbei me perdendo nas linhas, e que o inicio do texto nada tem em comum com o final; eu diria que as linhas que se seguiram foram apenas um pensamento confuso sendo transcrito sem regras para impedi-lo. Gosto mais quando tudo flui assim, rebelde e sem limites - ao menos os textos parecem mais sinceros, quando isso ocorre.

Vou ver se consigo escrever (ao menos) mais um capitulo de Z35 ou de Alma. No estado de total fatal de inspiração em que estou, qualquer coisa serve (rs)!

Albert-nii-chan, terminei de ver  Secret Garde! Tão legal! Eles tiverem três filhos... algo, tipo, muito esquisito.

Ja nee.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

No Bravery


O campo de batalha se estendia, quilometros e mais quilometros de morte. O suspiro do fim cercando a tudo, abraçando aos corpos, molhando à tudo com uma chuva insistente. Porque era o fim. Porque ele vencera a batalha; e o peso de sua vitória, agora, lhe parecia tão pesada... Tão injustamente insuportável.
        Caminhar era dificil, com todos aqueles corpos. Mas ele precisava sair dali. Ele estava vivo. Ele lutara por aquilo, matara pela vida. Ele era um soldado. Evitava olhar para os rostos anônimos dos corpos, das crianças, com medo do que veria. Mas era impossivel não sentir o odor - tudo fedia à morte, à inocência e lagrimas roubadas. Ele tinha certeza, muitos daqueles corpos, meio mutilados pela covardia armada do mais forte, tinham os rostos manchados com lagrimas mal-recebidas. Ele ainda podia ouvir os gritos, os choros, os pedidos, as súplicias.
        Ouvia.
        O eco estava ali, em todo canto, no canto onde ele estava.
        Mas ele não podia fazer nada.
        Estavam mortos.
        Ele já fora corajoso.
        O destino lhe reservara àquilo. Ele era um covarde. Não um herói, mas um mero covarde.
        E já sentira o sabor do heroismo antes, já sentira o prazer de ser herói; sabia, agora, que não passava de mentira. Sua vida, sua missão, aquilo tudo - não passavam de mentiras.
        Por isso ele não conseguia mais olhar, não conseguia enfrentar a destruição que causara. Não queria mais ser julgado, não queria mais ouvir os lamentos acusadores. As casas pegavam fogo, queimavam, e ninguém mais poderia morar ali. Os corpos rigidos, no chão, se misturavam à todos os outros, numa sopa inconfundível de inocentes. E ele sabia daquilo tudo, sabia, via, sentia. Ouvia as crianças brincando, antes de fazer aquilo tudo, antes de roubar as vidas. Antes de dar o ultimo tiro.
        Tentou sorrir. Pelo menos uma ultima vez, tentou lembrar-se de algo bom. Mas tudo que era bom, lembrava-lhe sua covardia. Não era um homem bravo. Não era um heróis. Era um assassino.
        Ele tivera de tudo, menos bravura.


"E não vejo nenhuma bravura
Nenhuma bravura em seus olhos, não mais.
Somente tristeza."
- James Blunt

domingo, 6 de novembro de 2011


Como uma flecha rápida, uma guerra num período de paz, uma nuvem cinza num dia ensolarado - ela sabia que aquilo era amor. Mesmo negando, ignorando, tentando, ela estava amando. E isso não podia ser mudado, porque, diferente da maneira como chega, o amor não se vai de repente. Ele vem, sempre vem, e vem para ficar. Talvez você esteja sozinha, um rádio tocando em seu quarto isolado, seu mundo separado de todo o restante da população hipócrita, e acredite que pode viver eternamente assim.
        Mas até quando?
        A solidão é um bem caro. Ela vem, te faz companhia, mas o preço que cobra é muito elevado. Seu preço é quase insuportável.
        Sem deixar-lhe um recado, a solidão pede para ser substituída. Ela se vai, vem o amor. E, com o amor, vem o sofrimento. Porque amar, de alguma forma, sempre está relacionado à dor - como irmãos gêmeos numa festa. Amar sempre é doloroso, e a dor quase chega a ser boa. Dizem-me que é melhor estar amando - é melhor sentir a dor. Nunca entendi esse masoquismo. Talvez porque eu nunca tenha amado. Se dói, porque sempre buscamos mais? Amar é estranho. Gostar de amar, é uma reação que não entendo.


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Um texto pequeno, e um tanto sem graça, eu sei. Foi só uma pequena divagação sobre um grande assunto - um que eu nunca entendi. Só que é dificil, simplesmente dificil. Você entende o amor, e porque as pessoas sofrem por amar e, mesmo assim, buscam mais e mais sentir essa dor? Nunca entendi. Pra mim, isso é um misterio - estranho mistério.

Bem, Brena-nee-chan, obrigadinho pelo elogio no seu comentário anterior, viu? E, sim, sim, vou continuar a estória de Alma - eu sou confusa, então mão tem problema que o blog também o seja (rs). Obrigado pela sua presença aqui, viu?  *-*

Acho que amanhã faço uma nova postagem - quer dizer, hoje mais tarde, já que agora é madrugada (é...). Então, ja nee, minna-san!