segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Um. Dois

Ah, cobaias de deus
Nós somos cobaias de deus
- Cazuza

O ar parecia pesado. Mais dois passos, e estaria lá. Por que aquele medo? Não havia motivos para temer aquele poço. Mas a escuridão reinava. 

             Um, dois, o ar era pesado, pesado demais. As paredes estavam tão longe.... como um templo. Um templo em chamas, com a fumaça acre invadindo o peito, lento, combustão.
 
             E lá estava.

           O peso dobrava o chão em dois, três. Fendas. Penas. Mas lá estava. O ar podre. Morto. Morte. Onde estava ela, a dona morte, senhora da vida? Eu via suas mãos. Seus dedos nodosos querendo alisar meu cabelo e beijar minha face com a ponta das unhas longas e vermelhas como as das putas da esquina de minha casa. Olá. Ah, não, mas esses que eu sentia no ombro eram outros. Maiores, fortes.

           A mão da morte é tão pequena e delicada. 

         Essas eram pesadas. Queriam me tirar dali, me sufocar com o que achavam ser conforto. Me puxar, continuar puxando, e puxando. Eu só queria estar ali. Estar com ela. Não me leve! 

          "Está tudo bem".

          O quê? Por que precisaria estar bem? A vida. Eu era capaz de vê-la, seu resquicio esquecido no liquido escorregadio do piso. A névoa. Morte. Suspiro. Vida. Suspiro. Morra.

          Um, dois. O número perfeito.

          
          A morte ainda não alcançou sua alma, disse alguém. As mãos. Não me largue. Não, me largue.


      No escuro, rostos anônimos. Olhos sem nomes. Aves carniceiras. Saiam, saiam. Vocês não entendem. Buscam o morto como ela busca a morte, mas não entendem. Não como eu. 'Você não precisa ver isso". Que tolo! Imbecil. Venha cá. Eles te temem, logo à você. Logo seu alívio, senhora. 

        Sua mão fedia à vodka e cerveja. Seu hálito cheirava a tristeza, mas estava bem. Ele disse que me protegeria, cuidaria de mim. Engraçado. Ele não entende. Seu cérebro confuso não conseguia entender. Não existe estar bem. Ela não precisa estar bem. 

         Venha. Ela te quer tanto, dona morte, mas tanto. Chegue um pouco mais. Abra um pouco os seus braços finos, com suas pulseiras baratas. Sua mini-saia fedia à sexo, seus olhos cheiravam à amor. Venha, venha amá-la. Não há amor maior que seu, não estou certa? Sua safada. Se dá pra todos. Não vá desistir agora, que seus lábios carnudos estão tão próximos aos dela, aos meus, aos dele. Beije, rebole. Faça por merecer.

          Restos humanos. O que restou, o peso da morte num corpo vivo. Puta. Volte aqui. Puta. Pague por isso. Pague. Leve-a! LEVE-A! A dor era essa: quase foi, mas estava aqui. Quase morreu, mas estava viva. 

          Quem sabe da próxima?, a puta disse. Traidora.  

          Um, dois. Quase.

           Um, dois, quem sabe na terceira? 

           Você a quer. Pode querer. 

          Um, dois. Me tiraram de lá. O escuro era grande. O peso das mãos me afundavam mais fundo na luz. Eram grandes, grandes e velhas. "Vou apertar a sua mão e ficará tudo bem".

Tudo bem.

Bem. Dois.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Tirem de mim as penas

Socorro.
         Socorro, eu não estou sentindo nada. NADA!
         Nem medo, nem calor, nem fogo, não vai dar mais pra chorar, nem pra rir...

         Socorro, eu estou sentindo, sentindo muito. Demais. Tirem de mim, me deem de volta o nada tão frio e tranquilo.
        Não quero amar, nem dor alguma. Não quero você, e - tudo bem -, também não quero a mim. Quero o vácuo, o universo escuro, o socorro da ficção.

II
        Meu corpo confunde os sinais da mente; ou será que meu coração é  que confunde os sinais do corpo?
        Me tirem daqui. Eu não quero essa água. Ela quer escorrer. Ela está escorrendo.
        E a ladeira é longa, vertical. Mas ignorem, estou louca. A loucura toma de mim o que havia de melhor. O pior é forte demais para ir embora.

III
       Se me perguntasse algo que mais quero agora, eu não gostaria dos sinais de minha carne doentia.
       Doente. Doente. A doença está latente, o diagnóstico foi ignorado.
       O que me faz sempre voltar àquela cama fria, a febre ainda presa nos lençóis? A doença, sim. Essa loucura vã que me mata aos poucos.

IV
       Pouquinho. Pouquinho.
       As palavras não cessam nem cerceiam. Os erros. Eles estão aqui.

V
       Direta. Preciso de direção. O mapa astral não me ajuda; seu astral também não.
       Me explique, então, o que é isso. O que somos nós? Como sentir algo desconhecido?
       E se nada for real? As teclas pareceriam certas.
       É a loucura. Loucura em todos os pontos e virgulas. Dedos, desavenças e teclas.
       Tac-tac-tac-tac. Amor.

VI
       É a depressão suave da geografia. Alguém me desbrave. Me mapeie. Alguém se importe.
       O pouco está valendo. Ele sempre foi muito.
       Mas há algo de solitário naqueles lençóis.
       Ele. Eu. O ponto nos separa, ou é o que nos une?
       Seu sorriso. Meu. Seu. O nosso é um mistério, um segredo à 7 mais algumas chaves.
       E cadê elas? Quem as perdeu?

VII
       Me diga.
       Socorro.
       Estou sentindo.
       É o medo, calor, fogo, choro - riso. Você consegue ouvir?
       Socorro. Isso não é um grito. Essas penas. Tirem de mim as penas.
       Amor. Dor. Cadê o nada?
       Apenas socorro.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

E fomos

O caminhar ligeiro era interrompido pela dor, o conhecimento descompessado de quem não quer. A luz no lado certo, o frio da parede em minha pele leve e dura. Nela, os ossos. Nela, eu.
Eu não saberia dizer se em meus olhos havia dor, nojo ou prazer. Muito menos onde um começa e o outro termina. Seu corpo, que poderia e talvez seja o meu, tremia. Tremiamos. Os musculos retesados pelo pavor de não ser o que quer. Ou quer? Queremos? Qual o limite da inexistência, o limiar do homem? Somos pele, osso e corpo, ou alma e razão? Eu poderia responder com muito, mas todas as palavras me parecem fúteis e inuteis. Tanto para mim, quanto para ele. Porque somos iguais, apesar do sexo doente e dos olhos meio mortos. Somos, eu e ele; meras sombras do querer ser.
E foi. E fomos.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Corridas rumo ao mesmo

Eu só queria correr. Ir longe, para o mais longe que minhas pernas sozinhas conseguissem chegar. Longe da cidade, das pessoas e dos relacionamentos. Sem palavras, chaves ou palavrões nas paredes. Apenas eu, o céu e o pouco que me resta. Queria correr pelo campo e não me preocupar com os cortes em meus pés ou braços. Só correr e correr mais um pouco. 
E, por incrível que pareça, esse seria o meu ato mais corajoso. Fugir seria meu último grito de coragem. O grito de coragem que não acontecerá, porque continuarei aqui. Nessa cidade, com essas pessoas e com esses relacionamentos. Continuarei exatamente aqui.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dando replay

Existem coisas tristes por aqui. Estou cansada, muito cansada. Em minhas costas, nada além da roupa que cobre meu corpo, mas sinto que há algo enorme aqui atrás. Algo me puxando, me puxando, me tragando como o último cigarro da cartela daquele velhinho da esquina. Não vejo futuro nisso. Nem naquilo. E estarei sozinha, independente de quem seja a pessoa. Não importa seu sexo. Seu status. Sei o fim disso. Sei o fim daquilo. Assisto à tudo como um filme desastroso, triste e choroso. Desculpas por ser tão rude. Desculpas por ser tão fraca. Não consigo me afastar, mas sei que nada me aproximará. Só resta esse aperto no peito - de novo. E de novo. Como o replay de um filme que não quero ver.
Por que eu não canso disso? Por que esse destino invisível não pára de brincar comigo? Não faça isso. Não. Por favor. Só não faça isso de novo

terça-feira, 22 de julho de 2014

"Muito prazer, meu nome é otário"

Nasci pobre e cresci otária. Besta, idiota. Do tipo que sorri para desconhecidos na rua e ajuda qualquer um que venha pedir socorro, mesmo sabendo que posso me prejudicar. Nasci sem choro, cresci calada. Deixei que mandassem em mim, que calassem minha voz de criança. Aprendi que, as vezes, a melhor palavra é o silêncio, mas a pior dor é a de estar quieta. Guardando tudo para si; fugindo do mundo. Os olhos te perseguem, te vigiam. Você sabe disso. Eu também sei. Resolvi soltar o verbo, e os olhos se transformaram em farpas. Algumas machucaram meu corpo, fizeram minha alma sangrar. Porque é assim que funcionam as coisas. É muito melhor uma pobre otária, besta, idiota e silenciosa, do que uma otária que fala. E pra quem ouvir? Ah, por favor! Deixem-me morrer otária, mas não tirem mais a voz que só à mim pertence.

Sobre o eu e (sem) você

I.
No relógio, horas
Os números parecem tão injustos
Imorais
E cadê a fé que eu tinha,
Que me fazia acreditar mesmo nas
pessoas?
Sinto saudade de você,
Muita
E isso me parece tão absurdo,
Tão infeliz
E em pensar que são apenas horas...
Uma, duas, dez
Que seja, oras!
E mais horas.



II.
Tudo começou com um aperto de mão. Lembro bem dele. Quente, seguro; e não estou falando apenas de seu toque. É que você sempre me pareceu um cobertor protetor. Macio. Irresistivel. Um pouco disso e daquilo, aqui e acolá, e juro que sabia que o fim seria esse. Eu, você, e um coração acelerado. Só um, ao que parece. Mas tudo bem, certo? A vida tem dessas e mais outras. Um dia a gente perde, e no outro... Ahh, no outro a gente perdoa, e ama mais um pouco de novo.



III.
E se eu disser que minha insegurança é você? E disser mais ainda: você me faz sentir segura? A minha incongruência faz todo sentido, quando escrita. Porque sou um pouco disso também: palavras. Não se preocupe. Não direi nada. Enquanto formos só amigos, só isso sairá de meus lábios cansados e ansiosos. Só me beije um pouco mais. Segure um pouco mais. Me deixe voar com você, andar com você. Não direi nada, prometo. Não direi mais nada, foi o que prometi. Mas me deixe ficar mais um pouquinho - só mais um pouquinho, antes de você virar as costas e apressar o passo para longe de mim.



IV.
Em um surto, abraço. Solidão e fome. Confusão e um pouco de malícia. Português e seus erros, virgulas no lugar de pontos. Não procure entender, se tudo parece tão frágil. Só ande, ande mais e mais e mais e mais, até que seus pés percebam que o mais que você andou foi demais. Sem mas. Aceite. Se parece poesia, desculpe. Se não faz sentido, acene e sorria. Sorria para mim, para minha loucura de estar aqui, mais uma vez e novamente. Tema, tema muito. Pareço criança, mas meu coração é velho. Juro que é. E a verdade parece sempre tão cruel, né? Mas e a mentira? Tudo bem que você minta. Minta de novo, só para mim. Eu deixo. Você pode. Mas sinta medo; sinta medo mesmo de minhas palavras. Muitas vezes, na maior parte delas, são sinceras.
E não há nada mais terrível do que os cortes das palavras verdadeiras - não importa se o corte for em mim ou em você. 

domingo, 13 de abril de 2014

Punhado de palavras

Te ver me causa dor
    Por que dói tanto?
Não devia. É errado.
   Sujo. Sou eu.
Por que tanto amor,
   se eu sei que você
não ama a mim?
   É justo?
      Justiça divina.
 Sujeira destinada.
     Dor merecida.
Quero um remédio,
paz
   E um pouco de
        espirito.
  Mas não mais
      o gostar.
  Não mais o
      querer.
   Não mais o
    sofrer sem
  o bem querer.
 E é justo que
me olhem com
   tanto amor?
   Tenho pena,
dói também em mim.
  Um me desculpe
 será o suficiente?
   Um me perdoe
   surtirá efeito?
Não há poesia em mim,
 muito menos bondade,
   Apenas confusão
e um punhado de palavras.



"Obrigado 
Por ter se mandado 
Ter me condenado a tanta liberdade 
Pelas tardes nunca foi tão tarde 
Teus abraços, tuas ameaças

Obrigado 
Por eu ter te amado 
Com a fidelidade de um bicho amestrado 
Pelas vezes que eu chorei sem vontade 
Pra te impressionar, causar piedade

Pelos dias de cão, muito obrigado 
Pela frase feita 
Por esculhambar meu coração 
Antiquado e careta 
Me trair, me dar inspiração 
Preu ganhar dinheiro"
- Obrigado (Por ter se mandado),
Cazuza

terça-feira, 1 de abril de 2014

Leões e desafetos

Estou cansada da ilusão, e me perdoem aqueles que a cultivam. Há algo de errado e sinistro nela. É como um fantasma, uma obra inacabada no centro da cidade. Está lá, vejo-a todos os dias. Sinto a curiosidade de adentrar entre seus ferros, caminhar entre o seu cheiro de ferrugem. Mas do que adianta? Como fugir? Ah, meu caro, isso eu sempre quis saber, mais especialmente agora. Estou tentando fugir desse leão – e que leão ele se mostrou ser!

O problema, o grande problema, quase tão grande quanto o universo que cabe em mim, é que eu adoro esse animal voraz, ferrenho, sutil e tímido. Adoro, amo-o tanto. Como conseguirei fugir de tua armadilha, tua boca feroz? No pecado há sempre o sabor gostoso do errado. Provo dele agora. Desculpe-me por isso, mas eu acho que preciso dizer para esse mundo vazio – em que eu e eu dialogamos como velhas amigas – que eu amo alguém. Amo, amo mesmo. Mas será que amo? Estou com fome. Já não sei se a fome é minha ou de meu coração meio adoentado, enfermo pelas doenças da vida, do universo. Casos e desacasos. Não acredito em destino. Meus pés pisam em pontes que eu mesma construí. Se elas cederam? Tudo bem, posso construir outras, certo? Alguém me ajudará? Não conto mais com isso.

E no fundo, bem no fundo, estou contando.

Ah, esses leões...


Não quero mais esperanças. As cartas já foram postas na mesa. Quero a feiura da certeza. Mentiras bonitas, não, obrigada. Já me basta ter que viver. 

1º de abril

"E dizem que a solidão até que me cai bem" - Legião Urbana

Eu queria dizer muito, á começar do fim. Não sou daquelas que tem coragem, infelizmente. Nem das que gosta do convencional. Mas não me arrependo de nada que não fiz, ou talvez eu me arrependa, no âmago do meu ser.

 Quem sabe?

Há quem diga que escrevo por ser louca. Chego à conclusão de que estão todos certos. Sou louca varrida, solitária inveterada. Lembro-me bem daqueles dias longínquos, quando me definir era mais fácil. Solitária, calada, um pouco disso e daquilo, tudo no meio termo. Sim, confesso que sempre fui tudo isso. E como poderia negar? Atualmente, estou em meu período de afirmação. Confirmo que sou idiota, tola. Nunca soube amar. Se estou triste? Oh, sim, também confirmo isso! E que mais perguntas venham, certamente todas serão respondidas com um sim meio simbólico, retraído, um pouco de tímido e de ousado.


Hoje é 1º de abril, mas tudo em que consigo pensar é na verdade das coisas. Tudo é muito forte, cruel. Não, não. Para que mais mentiras, afinal? Estou aqui, em meu quarto, já cansada de enxugar lágrimas. Alguém além de mim cansa de chorar? Já cansei, e muito. Essa atividade não me atrai. Não vejo mais sentido. E não me pergunte mais nada. O sim que quer sair de meus lábios é o mesmo que me machucou horas atrás. Machucou, não. Me surrou. Tirou de mim o pouco de sangue que me restava. Nada muito grave, acho que ainda estou viva. Será? Há sempre a dúvida. E há sempre mais um sim, seja ele fruto do 1º de abril ou não.

quarta-feira, 26 de março de 2014

A flor do mal

"Eu quis você
   E me perdi
Você não viu
E eu não senti"
- As flores do mal,
Legião Urbana
Alguns perguntariam o que estou fazendo aqui.

A resposta é muito menos romântica e sonhadora, se for saída do fundo de minhas entranhas. Estou aqui, caro leitor ou leitora distraída pelos desalentos da vida, porquê sou estúpida. Boba demais para fugir, presa demais ao que o meu - tão estúpido quanto esta quem vos escreve - coração grita em meus ouvidos. Boba, besta, esperançosa... O MPB parece definir minha essência, aquela que eu menos quero para mim. Bem, minha dor ao menos tem bom gosto.

       A razão fala para mim coisas que ignoro há mais passagens de lua do que eu e os Maias conseguimos contar. Eu achava, sinceramente, que eram dias, mas o calendário da parede marcam muito mais que uma dezena de semanas desde aquele dia. E - ai de quem duvide! -, séculos já podem ter sido cruzados. Em um segundo, o infinito. Aquele dia. O dia que não cabe no infinito. O infinito que não comporta, suporta ou se importa com os pequenos grandes momentos.

Sim, aquele dia.

E, sim, estou falando daquele dia em que conheci você.

Não precisa olhar para trás ou para os lados. O acusado desse crime cruel é você mesmo. Sem tirar ou pôr. Sinta-se julgado. Não culparei o destino, esse pobre inocente. O que ele fez? Não. A culpa, a inatural dor, é do homem. Afinal, a natureza do estar vivo nada mais é do que um grande paraíso doce, e de estragar paraísos quem entende é o homem.

E, pois é, nesse exato momento eu estou parecendo tão louca quanto as vozes que ouço. Estou tonta, diria que um pouco bêbada. E não mais me importo com meu porco português, porquê há algo que suplanta qualquer sentimento, não importa a importância e força deste último. A raiva. E a estupidez.

Minha estupidez é quase um ser vivo, algo que se alimenta do resto de meu corpo enquanto cresce, evolui como um bicho. Perceber isso talvez seja um sinal de uma mínima razão inteligente minha, mas quem garante? A raiva e a estupidez estão brigando agora, uma guerra territorial que eu, me perdoe, não quero mais interferir. E para quê? Onde colocar a esperança num território tão hostil e frustrante?

No entanto, mesmo assim, cá estou eu. Sendo estúpida, amando estupidamente. A esperança rastejando pelo meu corpo, enquanto a raiva e a razão tentam se estabelecer no resto. Sou besta, eu sonho. Burra, tenho fé. Duas faces de mim - eu mesma.

sábado, 22 de março de 2014

Acordei com vontade do fim,
E desculpe se isso soa repetitivo
Mas nós mudamos,
Como deveria ser.
Será que o fim é tão certo?
Será que nos deparamos com uma rua sem saída?
Você encontrará muito com o que se encantar
Estarei sozinha, talvez
Mas segura, sempre
Então, sem respostas, durmo
Sem saber se ainda tenho a vontade do fim
Ou a vontade do fim é que me tem.