quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Burguesia


"A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra"
- Cazuza


Estamos num jogo, e há muito somos os perdedores. Num jogo de política, poder, sujeira. Mesmo de tão longe, consigo sentir o cheiro podre da burguesia e sua falsa preocupação, sinto o odor das mentiras e da hipocrisia. E, o outro lado, o lado de cá, nunca muda; estamos de volta à era medieval, à época de colônia, onde nada se movia, nada mudava, tudo era o mesmo sempre e para sempre. Ou talvez, e o que é mais provável, nunca tenhamos saído da era de colônia, da época em que os escravos eram escravos e os nobres eram nobres. Somos os mesmos. Somos como nossos pais.
                A vida é injusta? Não. A população é ignorante, inocente e não sabe jogar. Esse jogo é para os espertos, esse jogo é para quem sabe roubar. O Brasil é uma piada medieval, um livro bonitinho mas falso. Belezas naturais? Certamente, elas devem existir, em algum lugar. Em algum lugar, por detrás dos lixões, por detrás da falta de educação e descaso. Porém, sim, elas devem existir. E, enquanto os ricos continuam ricos e solitários, e os pobres continuam com o estomago vazio, o governador continua barganhando com suas mentiras, como se fosse alguém mais do que um fantoche. Democracia? Não me faça rir! Os poderosos podem ser tudo, menos democrático.
                Até quando viveremos como prisioneiros de nosso próprio lar? Quando acordaremos e tiraremos do poder todos esses burgueses fedidos e podres? O que estamos esperando? A justiça, a mão de Deus sobre nós? Nenhum ser divino poderá nos salvar dos dedos nodosos de nossa presidenta e de nossos governantes. Deus não existe para isso. Nós – nós que os colocamos no poder – é que temos de arrancá-los de lá, usando unhas ou usando dentes. A arma está nas nossas mãos... só falta usá-la.
                Aos políticos, meus mais íntimos algozes, digo uma coisa: esperem pelo troco, pois ele virá. Se acham que poderão aumentar seus próprios bolsos para sempre, dando esmola aos pobres trabalhadores como se fossemos indigentes, estão enganados. O poder estraga as pessoas, estraga os lugares, mas não os torna melhor ou pior do que ninguém... Vocês irão morrer, como nós, suas carnes apodrecerão, como nós. Quem sabe, no seu enterro não vá ninguém, todos estarão brigando pela maior parte da herança, em algum escritório à mil quilômetros de seu túmulo. Quem sabe vá alguém, com seus óculos escuros para esconder a falta de lagrimas e a insinceridade. Talvez eu deva dizer que os burgueses se merecem. Pois é assim que as coisas são.
                É assim que vai ser.
                Mas, talvez, não sejamos capazes de parar a burguesia... Porque todos, eu e você, temos vontade de sermos burgueses. 
                Não podemos parar aquilo que admiramos. 

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Acho que o texto não abre alas para meus próprios comentários.
Talvez eu devesse só informar que escrevi o texto pensando em duas músicas, apesar de serem do mesmo cantor: Medieval e Burguesia, ambas de Cazuza.
Para quem não acredita que os políticos sejam tão... mesquinhos (usando uma palavra bonitinha)... Aqui vai uma coisa. Leia essa notícia do jornal: Aqui.
É assim que são, não só os políticos, todos os brasileiros.

De alguma forma, todos somos burgueses.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Cansei de não ter um bom título.


Com o tempo, você cansa.
Sente aquele cansaço de estar cansado, aquele cansaço de não estar no lugar certo; e isso se deve mais ao fato de estar aqui do que o de não estar lá. Aqui ou lá, não adianta, nunca será suficiente. O cansaço vem bater à porta, independente dos advérbios de lugar que você usar.
Você cansa de acordar todas as manhãs planejando mil e uns futuros, e cansa ainda mais de ver seus sonhos matutinos serem desintegrados pelo calor do sol ao meio-dia. Você cansa de julgar as pessoas e ver que seu julgamento não é nada mais do que errado, incompleto, futilmente humano. Você cansa dos verbos; cansa de verbalizar.
 Sim, você cansa.
 Mas cansar, mais do que amar ou morrer, é humano. Mais do que sorrir ou chorar, cansar é normal. Somos homens e mulheres, devemos cansar. Cansar da rotina, cansar de não estar parado, cansar da velha casa, cansar da casa nova. Devemos cansar do ser ou não ser, da questão e da resposta.
Sempre vamos nos cansar.
                Nascemos para estarmos cansados. Cansamos porque nascemos, e estamos definitivamente vivos, respirando, porque estamos cansados.  Cansamos de depender do ar, de sentir o coração bater. Cansamos de tentar, cansamos de conseguir, cansamos de não ter, cansamos de ter demais. Cansamos e cansamos.
                Porém, me pergunto vez ou outra, na calada de uma madrugada cansada, se não podemos simplesmente parar de cansar. Afinal, não estamos cansados de estarmos cansados? Me pergunto se não poderei viver feliz, viver sem o cansaço; porque.... as vezes.... mas só de vez em quando mesmo, o cansaço se mistura e se confunde com a tristeza, então não sei mais se o torpor do corpo é de simples cansaço ou pura infelicidade. Talvez porque, acima de tudo, estamos cansados dos sentimentos, dos sentires e palpitares do peito.
                Mas cansar é necessário... Se não fosse, não estaríamos cansados.
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Está ai mais um textinho minusculo, postado mais para não perder o costume de postar do que por outro motivo. De onde veio a ideia do texto, não sei muito bem. 
Sobre o titulo da postagem... Bem, cansei de botar simbolos (***) nos títulos da postagem. Haha. Acabei levando muito literalmente, e meu cansaço de não ter criatividade para títulos acabou virando o próprio título!

Estou pensando em ideias para novos contos, mas nada está muito confirmado de que os escreverei. Porém, alguém gostaria de me dar alguma ideia...? Albert, alguma coisa a sugerir...? (haha, eu podia começar pela sua estória, né? Só acho que meu "talento" não é adequado para escrever uma estória tão boa quanto  sua. [:  )

Beijos!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Amor não é poesia


"E hoje em dia, como é que se diz  eu te amo?" - Legião Urbana
Receio que tudo tenha começado ali, num super-mercado lotado, todos os consumidores se cozinhando enquanto tentavam fazer compras, o suor se misturando e impregnando em suas roupas. Há quem consegue poetizar o amor. Eu, particularmente, não vejo nada especial em uma briga dentro de um super mercado lotado aos extremos, que ocasionou, dois anos depois, em um casamento. Sim, não vejo nada de poético nisso. Mas há quem veja.
                - Droga de super-mercado! Cadê o ar-condicionado dessa porcaria?! Cadê o direito dos clientes, o conforto?! – a raiva já há muito assolava os lábios de Raissa, saindo em forma de murmúrios raivosos, impossíveis de serem escutados diante a balbúrdia do estabelecimento lotado. O super-mercado parecia a fornalha do inferno: lento, quente e entupido de pecadores.
                Péssimo dia para escolher sair às compras, pensou Raissa. As pessoas se amotinavam em todos os lugares. Parecia que todos se preparavam para o fim do mundo, desesperados por comida e objetos de higiene. A fila do caixa comprovava isso. Provavelmente, ser atendida pelo SUS demoraria menos do que terminar de fazer compras naquela fornalha.
                O carrinho de Raissa pesava. Algumas pessoas se agruparam em frente à prateleira de sabonetes e desodorantes, enquanto Raissa tentava abrir caminho para si mesma pegar os materiais. Alguém lhe empurrou. Um xingamento saiu torto e lento pelos seus lábios. Uma pessoa pisou no seu pé. Raissa já estava vermelha de raiva e impaciência. Uma idosa, lenta como uma tartaruga, tentava se enfiar no meio dos desesperados-compradores, bem na frente da moça de cabelos castanhos e estatura diminuta. Então Raissa decidiu.
                Largou seu carrinho ali, e se enfiou no meio das pessoas, levando tapas e pisadas, tentando pegar um único e mísero sabonete. Algumas pessoas enchiam os braços de desodorantes e corriam, como se estivessem prestes a serem atacados por zumbis famintos numa noite tenebrosa. Outras ainda pareciam sair dali, com sabonetes entulhados nos braços, como se estivessem subindo num pódio de medalha. Não havia coisa mais deprimente. Raissa conseguiu, com um esforço que parecia capaz de derrubar um super-homem, pegar três míseros e amassados sabonetes. A morena começou a achar que aquele era seu dia de sorte. Empurrando e estapeando, os cabelos num caos, Raissa saiu da multidão – com três sabonetes muito bem protegidos entre os braços -, e se dirigiu ao carrinho...
                Ah, foi ai que começou.
                Quem enxergar a poesia do momento, por favor, me informe.
                - Mas o que...?! Seu safado, pode ir tirando a mão do meu carrinho! – Raissa gritou para o homem alto, olhos tão negros quanto seus cabelos, que enfiava a mão no carrinho da moça e tirava dali um saco de feijão.
                - Seu carrinho? Desculpe-me, “Srt. Estranha”, mas não havia ninguém de junto do carrinho e não há nomes nele. Portanto, está abandonado. E, se está abandonado, tenho todo o direito de pegar um saco de feijão, o único por aqui, diga-se logo.
                Alguém empurrou Raissa, que de branca passava para a cor vermelha, e, de vermelha, para roxa de raiva. Mike nunca viu tantas mudanças de cores em uma única pessoa, e em um período de tempo tão curto.
                - Seu grosseirão! Srt. Estranha? Srt.estranha?! Repita isso se tem coragem! – ela esbravejou, lançando as mãos para o alto, totalmente esquecida dos sabonetes, e vendo-os caindo no chão. Cinco pessoas que estavam perto, todas de uma vez, se lançaram aos pés de Raissa, se estapeando para conseguir pegar um sabonete que, talvez, nem pudesse mais ser usado no banho, de tão amassado e pisoteado que estava.
                Raissa não se importou.
                - A culpa não é minha se você é inteligente o bastante para abandonar seu carrinho no meio do nada! A culpa é sua, e o feijão é meu!
                - Ah, mas só por cima do meu cadáver.
                Quer saber o resultado disso?
                - Michael Lemos, aceita Raissa como sua legitima esposa?
                - Sim.
                - Raissa Borges, aceita o jovem Michael Lemos como seu legitimo esposo?
                - Sim.
                Os olhos do padre pareciam vazios, apesar do sorriso torto que ele dirigiu a Mike, enquanto dizia:
                - Pode beijar a noiva.
                O amor não tem poesia. Sem olhares tímidos, sem sorrisos simpáticos. Não, o amor começa de repente, com um empurrão mau-educado no meio da multidão, com uma briga por causa de um táxi ou por causa de um saco de feijão num super-mercado pré-apocaliptico. O amor é um ser estranho, um verme perigoso que dilui suas entranhas e sua razão. Sim, sem poesia.
                O amor não é poético.

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Oi, de novo. [:
Então, eis ai uma pequena crônica. Se saiu boa ou não, isso quem me diz são vocês. Bem, não sei se é certo dizer isso, mas tentarei postar com mais frequência aqui no blog, apesar de ser um pouco dificil. Haha. Afinal, inspiração não cai do céu, né?

Ah, claro, só explicando... Exagerei na situações, durante a crônica, somente para deixá-la mais estranha mesmo. Porém, se você for a um super-mercado no primeiro dia do mês, e lá estiver tendo uma promoção, acho que o que eu escrevi não se afastará tanto da realidade (haha).

Até logo, se assim for para ser. [:


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Layout novo + Love Chronicle 1 - Henry

Olá! Quanto tempo, não? Haha. Notaram algo diferente...sei lá, no layout, talvez? [: Depois de tanto tempo, tomei coragem para fazer outro visual para o blog. Bem, aproveitando esse momento de coisa nova, trago para vocês, um texto que não é meu, mas de um amigo que me pediu para postá-lo aqui. Ele escreve muito bem, e é muito mais poeta que eu #Fato (haha), e espero que gostem. Na verdade, se trata de uma série de textos, que postarei aos poucos e intercaladamente com meus próprios textos, e todos dessa série contam uma estória diferente - estranhamente interligada, as vezes me parece.
         Então, aproveitem [:

Love Chronicle 1 - Henry
(Autor Suzaku-kun)



Estávamos na estação de trem. Era noite e fazia frio, ao menos no meu coração. Foi o dia em que disse adeus.
Prometi que iria ficar com você não importa onde.
Prometi ser seu.
Prometi te proteger.
Prometi que a neve não iria te fazer mal, o sol nunca ia te magoar.
Você me prometeu o seu coração, que ele ficaria ao lado do meu.
Por isso levou o meu amor junto com você.
Eu te amo e sempre te amei.
Você me amava?
O que houve com você?
De repente está chorando, me abraça, diz que não dá mais.
Tudo foi embora, ela se machucou demais.
Então, vai ser assim?
Vamos nos amar para sempre, você disse.
Isso deve bastar para afastar a solidão, certo?
Dias inquietantes passei...
Meses insuportáveis vivenciei...
Devia ter ido embora há muito tempo, pensei.
Voltei à estação de trem. Lembrei-me de novo do exato momento em que disse adeus.
Lá te encontrei, mais uma vez.
Estava frio, você estava na frente do trem.
Gritei.
Pedi para que voltasse; que tudo ia voltar ao que um dia já foi.
Disse que ainda te amo.
Mas você não tinha mais amor ou vida em seus olhos.
Olhou para mim como se não visse nada além de mim e mesmo assim não me enxergou.
Você perdeu o meu amor.
Você perdeu o seu amor.
Adeus.
Seu último adeus.
O trem passa, e leva seu corpo vazio junto.
Estava chovendo.
Não sabia para onde ir.
Estou tão completo.
Sinto que senti tudo que tinha para sentir na vida.
Mas não é tudo que eu queria.
O que eu queria não existe mais.
Devo morrer em paz.
Sim.
A vida faria sentido se ao menos a minha morte fosse feliz.
Devo olhar quem me segue...
Seria a morte?
Seria um futuro, próximo de mim?
Eu sei o que procuro.
E ela está tão perto...
Sua alma já estava lá há algum tempo.
Agora seu corpo se foi; junto com minha alma.
É a vez do meu corpo.
Encontrei o caminho...
Estranho, agora a sombra perseguidora sumiu.
Estou próximo de tudo que mais desejo.
Talvez a paz?
Cheguei.
Mas, o que devo fazer?
Olho para trás, e vejo o corpo de um rapaz esfaqueado.
Vejo também uma bela moça.
Sem pestanejar arranquei a faca da mão dela...


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