domingo, 10 de junho de 2012

Mais uma lógica.


Miseravelmente, tento encontrar palavras para a confusão de ideias difusas que me tomam. Ouço algum rock alucinante, viajo em algum solo de guitarra, deixo-me levar por um tempo. A ausência de palavras me incomoda. Sem elas, sinto-me vazia, apesar de tão cheia.

Cansei de ideologias. Cansei de história. Quero algo novo, que não exista. O futuro? Talvez. Quem sabe. Não acredito nele, de qualquer forma. Palavras bonitas não libertam nada; estamos todos presos no velho sistema do viver.  Comer, dormir, acordar e comer de novo. Não enxergo liberdade... bem, não enxergo nada, de qualquer forma. Estou cega em meu próprio mundo, e agora percebi o quanto estou distante da realidade. Até quando poderei viver assim? Deito-me na cama, aumento o volume do mp3; a música me chama, me tira do que sou, até que não estou mais aqui. E até quando poderei ficar lá? A música acaba. Me descubro num mundo no qual não participo.

Volto ao inicio e gemo. É a velha arte do dizer tudo sem dizer nada. Qual era minha inicial ideia? Talvez ela nunca tenha existido. Já fui daquelas de pensar coisas concretas. Hoje, me contento com ficção sem pé nem cabeça. Não tenho mais caminho. As palavras seguem apenas correntezas.

Me ponho, então, a pensar em coisas da vida. Nada sai de mim. A guitarra grita em meus ouvidos, fecho os olhos e esqueço todas as palavras que me abandonaram nessa noite. É estranha, essa solidão. Tão falsa, mas tão forte. Sim, falsa. Por que não? Sinto-a, mas, as vezes, penso que isso é drama de cérebro confuso. Talvez a solidão não exista. Portanto, ela é falsa. Como todos os sentimentos; falsa.

A frieza corrompe. Sinto-me corrompida. É estranho, confesso. Gramaticalmente, sei que as palavras estão certas; mas elas parecem tão erradas. E o que isso tem a ver com a frieza? Meu caro, eu não sei. Me perdi. Estou perdida, me achando em mais outro solo de guitarra.

Um grito. Calma. É só uma música.

O medo corta. Viver dá medo. A lógica das coisas me fascinam.