terça-feira, 29 de julho de 2014

Corridas rumo ao mesmo

Eu só queria correr. Ir longe, para o mais longe que minhas pernas sozinhas conseguissem chegar. Longe da cidade, das pessoas e dos relacionamentos. Sem palavras, chaves ou palavrões nas paredes. Apenas eu, o céu e o pouco que me resta. Queria correr pelo campo e não me preocupar com os cortes em meus pés ou braços. Só correr e correr mais um pouco. 
E, por incrível que pareça, esse seria o meu ato mais corajoso. Fugir seria meu último grito de coragem. O grito de coragem que não acontecerá, porque continuarei aqui. Nessa cidade, com essas pessoas e com esses relacionamentos. Continuarei exatamente aqui.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dando replay

Existem coisas tristes por aqui. Estou cansada, muito cansada. Em minhas costas, nada além da roupa que cobre meu corpo, mas sinto que há algo enorme aqui atrás. Algo me puxando, me puxando, me tragando como o último cigarro da cartela daquele velhinho da esquina. Não vejo futuro nisso. Nem naquilo. E estarei sozinha, independente de quem seja a pessoa. Não importa seu sexo. Seu status. Sei o fim disso. Sei o fim daquilo. Assisto à tudo como um filme desastroso, triste e choroso. Desculpas por ser tão rude. Desculpas por ser tão fraca. Não consigo me afastar, mas sei que nada me aproximará. Só resta esse aperto no peito - de novo. E de novo. Como o replay de um filme que não quero ver.
Por que eu não canso disso? Por que esse destino invisível não pára de brincar comigo? Não faça isso. Não. Por favor. Só não faça isso de novo

terça-feira, 22 de julho de 2014

"Muito prazer, meu nome é otário"

Nasci pobre e cresci otária. Besta, idiota. Do tipo que sorri para desconhecidos na rua e ajuda qualquer um que venha pedir socorro, mesmo sabendo que posso me prejudicar. Nasci sem choro, cresci calada. Deixei que mandassem em mim, que calassem minha voz de criança. Aprendi que, as vezes, a melhor palavra é o silêncio, mas a pior dor é a de estar quieta. Guardando tudo para si; fugindo do mundo. Os olhos te perseguem, te vigiam. Você sabe disso. Eu também sei. Resolvi soltar o verbo, e os olhos se transformaram em farpas. Algumas machucaram meu corpo, fizeram minha alma sangrar. Porque é assim que funcionam as coisas. É muito melhor uma pobre otária, besta, idiota e silenciosa, do que uma otária que fala. E pra quem ouvir? Ah, por favor! Deixem-me morrer otária, mas não tirem mais a voz que só à mim pertence.

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