sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Destino solitário.

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Sozinha novamente. Ouço barulhos de fora, outros de dentro, todos se musicalizando numa dança incerta e perturbadora. A solidão corroi o peito, traz lagrimas aos olhos e, por fim, me tira o sono e a vontade de continuar acordada. Todos estão muito longe, e se distanciam cada vez mais. Não adianta me agarrar á elas... O que resta é apenas as lembranças do que tive, e a certeza do que perdi. Eu poderia confessar meu amor à cada pessoa, dizer à elas tudo o que sinto quando se vão... Mas isso adiantaria?
A solidão sempre vem.
A solidão é um destino, não importa qual o caminho a ser usado.

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Passando para dizer que não morri, muito menos minhas palavras, haha. Escrevi coisas, só não tive força de vontade de postá-las. Tentarei voltar, então. Sem promessas. São só palavras.

Ja nee.

domingo, 10 de junho de 2012

Mais uma lógica.


Miseravelmente, tento encontrar palavras para a confusão de ideias difusas que me tomam. Ouço algum rock alucinante, viajo em algum solo de guitarra, deixo-me levar por um tempo. A ausência de palavras me incomoda. Sem elas, sinto-me vazia, apesar de tão cheia.

Cansei de ideologias. Cansei de história. Quero algo novo, que não exista. O futuro? Talvez. Quem sabe. Não acredito nele, de qualquer forma. Palavras bonitas não libertam nada; estamos todos presos no velho sistema do viver.  Comer, dormir, acordar e comer de novo. Não enxergo liberdade... bem, não enxergo nada, de qualquer forma. Estou cega em meu próprio mundo, e agora percebi o quanto estou distante da realidade. Até quando poderei viver assim? Deito-me na cama, aumento o volume do mp3; a música me chama, me tira do que sou, até que não estou mais aqui. E até quando poderei ficar lá? A música acaba. Me descubro num mundo no qual não participo.

Volto ao inicio e gemo. É a velha arte do dizer tudo sem dizer nada. Qual era minha inicial ideia? Talvez ela nunca tenha existido. Já fui daquelas de pensar coisas concretas. Hoje, me contento com ficção sem pé nem cabeça. Não tenho mais caminho. As palavras seguem apenas correntezas.

Me ponho, então, a pensar em coisas da vida. Nada sai de mim. A guitarra grita em meus ouvidos, fecho os olhos e esqueço todas as palavras que me abandonaram nessa noite. É estranha, essa solidão. Tão falsa, mas tão forte. Sim, falsa. Por que não? Sinto-a, mas, as vezes, penso que isso é drama de cérebro confuso. Talvez a solidão não exista. Portanto, ela é falsa. Como todos os sentimentos; falsa.

A frieza corrompe. Sinto-me corrompida. É estranho, confesso. Gramaticalmente, sei que as palavras estão certas; mas elas parecem tão erradas. E o que isso tem a ver com a frieza? Meu caro, eu não sei. Me perdi. Estou perdida, me achando em mais outro solo de guitarra.

Um grito. Calma. É só uma música.

O medo corta. Viver dá medo. A lógica das coisas me fascinam. 

sábado, 21 de abril de 2012

Sorrisos e amores.


"Eu quis você,
e me perdi.
Você não viu,
e eu não senti." 
-Legião Urbana 

               Num universo paralelo onde as horas se misturavam com os dias, e as semanas passam na mesma velocidade que as folhas alaranjadas vão ao chão, as pessoas seguravam seus sorrisos tortos e os protegiam da fumaça e chuva dolorosa. Alguém sussurra um nome, dois olhos se encontram. Um segundo, que o relógio pareceu contar erroneamente – meio sem querer -, se passou; uma garotinha distraiu-se, e, brincando com a vida, deixou seu sorriso voar.
               
                Livre, ele se foi. Deixou-se levar.

                Os olhos continuavam conectados, os segundos eram dias e alguém percebeu a passagem das estações. O sorriso da garota ainda fluía, voava à qualquer olhadela terna e discreta. Ele estava desprotegido, invariavelmente perdido.

                Porém, um dia tudo acaba. Tudo. Sempre.

                O olhar se foi. As folhas das árvores secas continuaram a cair, sem se importar.

                Não havia sussurrar de nomes, abraçar de palavras fictícias e bonitas. Não havia letras. Não havia algo.

                Alguém partiu. O relógio, apesar de tudo, não se importou.

                A garota, aquela mesma tola, olhava o céu, esperando a volta de seu sorriso, que fugira com Alguém. Ele, o sorriso travesso, não voltou. Nem com o passar dos segundos e muito menos com o cair das folhas.

                Seu sorriso partira junto com o amor.

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Oi, eu não morri [: Haha.
      Então. Hm. Estou meio sem palavras, por esses tempos, talvez por ter muito a dizer... Talvez porque descobri que nem todas as palavras são úteis para alguém além de mim. Tudo bem. rs'

     Alguém-que-talvez-não-exista que leu o texto logo acima, sinta-se honrado... O texto é parte de meu diário pessoal. Haha. Estranho? Sim, meu diário é estranho! o_o

Sayonara... Até algum dia... Que espero que seja em breve, haha.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Burguesia


"A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra"
- Cazuza


Estamos num jogo, e há muito somos os perdedores. Num jogo de política, poder, sujeira. Mesmo de tão longe, consigo sentir o cheiro podre da burguesia e sua falsa preocupação, sinto o odor das mentiras e da hipocrisia. E, o outro lado, o lado de cá, nunca muda; estamos de volta à era medieval, à época de colônia, onde nada se movia, nada mudava, tudo era o mesmo sempre e para sempre. Ou talvez, e o que é mais provável, nunca tenhamos saído da era de colônia, da época em que os escravos eram escravos e os nobres eram nobres. Somos os mesmos. Somos como nossos pais.
                A vida é injusta? Não. A população é ignorante, inocente e não sabe jogar. Esse jogo é para os espertos, esse jogo é para quem sabe roubar. O Brasil é uma piada medieval, um livro bonitinho mas falso. Belezas naturais? Certamente, elas devem existir, em algum lugar. Em algum lugar, por detrás dos lixões, por detrás da falta de educação e descaso. Porém, sim, elas devem existir. E, enquanto os ricos continuam ricos e solitários, e os pobres continuam com o estomago vazio, o governador continua barganhando com suas mentiras, como se fosse alguém mais do que um fantoche. Democracia? Não me faça rir! Os poderosos podem ser tudo, menos democrático.
                Até quando viveremos como prisioneiros de nosso próprio lar? Quando acordaremos e tiraremos do poder todos esses burgueses fedidos e podres? O que estamos esperando? A justiça, a mão de Deus sobre nós? Nenhum ser divino poderá nos salvar dos dedos nodosos de nossa presidenta e de nossos governantes. Deus não existe para isso. Nós – nós que os colocamos no poder – é que temos de arrancá-los de lá, usando unhas ou usando dentes. A arma está nas nossas mãos... só falta usá-la.
                Aos políticos, meus mais íntimos algozes, digo uma coisa: esperem pelo troco, pois ele virá. Se acham que poderão aumentar seus próprios bolsos para sempre, dando esmola aos pobres trabalhadores como se fossemos indigentes, estão enganados. O poder estraga as pessoas, estraga os lugares, mas não os torna melhor ou pior do que ninguém... Vocês irão morrer, como nós, suas carnes apodrecerão, como nós. Quem sabe, no seu enterro não vá ninguém, todos estarão brigando pela maior parte da herança, em algum escritório à mil quilômetros de seu túmulo. Quem sabe vá alguém, com seus óculos escuros para esconder a falta de lagrimas e a insinceridade. Talvez eu deva dizer que os burgueses se merecem. Pois é assim que as coisas são.
                É assim que vai ser.
                Mas, talvez, não sejamos capazes de parar a burguesia... Porque todos, eu e você, temos vontade de sermos burgueses. 
                Não podemos parar aquilo que admiramos. 

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Acho que o texto não abre alas para meus próprios comentários.
Talvez eu devesse só informar que escrevi o texto pensando em duas músicas, apesar de serem do mesmo cantor: Medieval e Burguesia, ambas de Cazuza.
Para quem não acredita que os políticos sejam tão... mesquinhos (usando uma palavra bonitinha)... Aqui vai uma coisa. Leia essa notícia do jornal: Aqui.
É assim que são, não só os políticos, todos os brasileiros.

De alguma forma, todos somos burgueses.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Cansei de não ter um bom título.


Com o tempo, você cansa.
Sente aquele cansaço de estar cansado, aquele cansaço de não estar no lugar certo; e isso se deve mais ao fato de estar aqui do que o de não estar lá. Aqui ou lá, não adianta, nunca será suficiente. O cansaço vem bater à porta, independente dos advérbios de lugar que você usar.
Você cansa de acordar todas as manhãs planejando mil e uns futuros, e cansa ainda mais de ver seus sonhos matutinos serem desintegrados pelo calor do sol ao meio-dia. Você cansa de julgar as pessoas e ver que seu julgamento não é nada mais do que errado, incompleto, futilmente humano. Você cansa dos verbos; cansa de verbalizar.
 Sim, você cansa.
 Mas cansar, mais do que amar ou morrer, é humano. Mais do que sorrir ou chorar, cansar é normal. Somos homens e mulheres, devemos cansar. Cansar da rotina, cansar de não estar parado, cansar da velha casa, cansar da casa nova. Devemos cansar do ser ou não ser, da questão e da resposta.
Sempre vamos nos cansar.
                Nascemos para estarmos cansados. Cansamos porque nascemos, e estamos definitivamente vivos, respirando, porque estamos cansados.  Cansamos de depender do ar, de sentir o coração bater. Cansamos de tentar, cansamos de conseguir, cansamos de não ter, cansamos de ter demais. Cansamos e cansamos.
                Porém, me pergunto vez ou outra, na calada de uma madrugada cansada, se não podemos simplesmente parar de cansar. Afinal, não estamos cansados de estarmos cansados? Me pergunto se não poderei viver feliz, viver sem o cansaço; porque.... as vezes.... mas só de vez em quando mesmo, o cansaço se mistura e se confunde com a tristeza, então não sei mais se o torpor do corpo é de simples cansaço ou pura infelicidade. Talvez porque, acima de tudo, estamos cansados dos sentimentos, dos sentires e palpitares do peito.
                Mas cansar é necessário... Se não fosse, não estaríamos cansados.
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Está ai mais um textinho minusculo, postado mais para não perder o costume de postar do que por outro motivo. De onde veio a ideia do texto, não sei muito bem. 
Sobre o titulo da postagem... Bem, cansei de botar simbolos (***) nos títulos da postagem. Haha. Acabei levando muito literalmente, e meu cansaço de não ter criatividade para títulos acabou virando o próprio título!

Estou pensando em ideias para novos contos, mas nada está muito confirmado de que os escreverei. Porém, alguém gostaria de me dar alguma ideia...? Albert, alguma coisa a sugerir...? (haha, eu podia começar pela sua estória, né? Só acho que meu "talento" não é adequado para escrever uma estória tão boa quanto  sua. [:  )

Beijos!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Layout novo + Love Chronicle 1 - Henry

Olá! Quanto tempo, não? Haha. Notaram algo diferente...sei lá, no layout, talvez? [: Depois de tanto tempo, tomei coragem para fazer outro visual para o blog. Bem, aproveitando esse momento de coisa nova, trago para vocês, um texto que não é meu, mas de um amigo que me pediu para postá-lo aqui. Ele escreve muito bem, e é muito mais poeta que eu #Fato (haha), e espero que gostem. Na verdade, se trata de uma série de textos, que postarei aos poucos e intercaladamente com meus próprios textos, e todos dessa série contam uma estória diferente - estranhamente interligada, as vezes me parece.
         Então, aproveitem [:

Love Chronicle 1 - Henry
(Autor Suzaku-kun)



Estávamos na estação de trem. Era noite e fazia frio, ao menos no meu coração. Foi o dia em que disse adeus.
Prometi que iria ficar com você não importa onde.
Prometi ser seu.
Prometi te proteger.
Prometi que a neve não iria te fazer mal, o sol nunca ia te magoar.
Você me prometeu o seu coração, que ele ficaria ao lado do meu.
Por isso levou o meu amor junto com você.
Eu te amo e sempre te amei.
Você me amava?
O que houve com você?
De repente está chorando, me abraça, diz que não dá mais.
Tudo foi embora, ela se machucou demais.
Então, vai ser assim?
Vamos nos amar para sempre, você disse.
Isso deve bastar para afastar a solidão, certo?
Dias inquietantes passei...
Meses insuportáveis vivenciei...
Devia ter ido embora há muito tempo, pensei.
Voltei à estação de trem. Lembrei-me de novo do exato momento em que disse adeus.
Lá te encontrei, mais uma vez.
Estava frio, você estava na frente do trem.
Gritei.
Pedi para que voltasse; que tudo ia voltar ao que um dia já foi.
Disse que ainda te amo.
Mas você não tinha mais amor ou vida em seus olhos.
Olhou para mim como se não visse nada além de mim e mesmo assim não me enxergou.
Você perdeu o meu amor.
Você perdeu o seu amor.
Adeus.
Seu último adeus.
O trem passa, e leva seu corpo vazio junto.
Estava chovendo.
Não sabia para onde ir.
Estou tão completo.
Sinto que senti tudo que tinha para sentir na vida.
Mas não é tudo que eu queria.
O que eu queria não existe mais.
Devo morrer em paz.
Sim.
A vida faria sentido se ao menos a minha morte fosse feliz.
Devo olhar quem me segue...
Seria a morte?
Seria um futuro, próximo de mim?
Eu sei o que procuro.
E ela está tão perto...
Sua alma já estava lá há algum tempo.
Agora seu corpo se foi; junto com minha alma.
É a vez do meu corpo.
Encontrei o caminho...
Estranho, agora a sombra perseguidora sumiu.
Estou próximo de tudo que mais desejo.
Talvez a paz?
Cheguei.
Mas, o que devo fazer?
Olho para trás, e vejo o corpo de um rapaz esfaqueado.
Vejo também uma bela moça.
Sem pestanejar arranquei a faca da mão dela...


domingo, 29 de janeiro de 2012

217


A última badalada do sino ecoava pela pequena cidade,  numa nove horas de uma noite escura e fria. Uma nevoa pesada e sufocante cobria toda a região próxima da igreja, como se fosse uma enorme cortina, enquanto morcegos sobrevoavam a praça vazia. Uma coruja pia ao longe. Uma pessoa acelera o passo, corre, arfa por ar, tenta escapar das visões, dos crimes , de confusão... principalmente, de confessionários.
                Aliás, ele desejava nunca mais ter de olhar na cara de um padre, fosse ele quem fosse.
                As casas se apertavam ao seu redor, enquanto ele tentava correr no meio da nevoa. Ele pode sentir a presença dos morcegos, logo acima de sua cabeça, e, mesmo sem poder enxergar nada além do que seu próprio desespero, podia jurar que milhares de olhos o fitavam com ódio. Mas o que fizera? Por hora, era melhor não pensar em nada, era melhor correr. Apenas fugir. Ir para longe. Sair daquela maldita cidade. Tranquila? Quem lhe dissera aquela piada irônica? Aquela cidade estava longe de ser tranqüila...
                Parou de frente a casa que estava hospedado, e, desesperado, bateu na madeira da porta  com muita força. Suas mãos tremiam, e seus olhos não cansavam de olhar ao redor, como se isso fosse fazê-lo capaz de enxergar na escuridão. Em dez segundos longos a porta se abriu, com o rosto de seu amigo, um rapaz cheio de espinhas e cabelos escuros, sendo iluminado por uma vela já gasta.
                - Fred, precisamos ir. Temos que sair daqui! – sua voz saia tremula, mas ele não teve força de vontade para pô-la mais firme.
                O outro lhe dirigiu um olhar cético, as sobrancelhas franzidas com humor, enquanto tentava esconder um sorrisinho zombeteiro pelo estado lamentável do amigo.
                - Ora, o que foi agora? Algum dono de loja quer matá-lo, por tentar namorar suas mulheres, ou apenas “pegou” mais um peixe e esqueceu de pagá-lo? – apesar do esforço, a voz de Fred mostrava com maestria toda a diversão que sentia.
                Um guincho, como esgar de garganta humana, ecoou pela rua; mas o som estava mais próximo do bestial do que do humano. Fred calou-se, assustado, e sentiu-se empalidecer enquanto olhava ao redor da rua, buscando inutilmente a fonte do som. Seus olhos voltaram-se para o amigo John novamente, uma sombra de indagação e medo nos olhos.
                - O que fez? – uma única frase. Era a única que conseguia dizer.
                - N-n-n-nada! Juro! Foi aquele maldito padre! Temos que sair daqui, antes que ele apareça com as loucuras dele. Ele é louco!
                Da escuridão enevoada, saiu um sombra. Lenta, mordaz, sua capa negra tremulando no vento. Fred e Jonh, sentindo os ossos tremerem dentro dos músculos amortecidos pelo medo, fixaram os olhos na imagem, até ela estar próxima o suficiente para identificá-lo... Padre Vinicius sorriu para eles, um sorriso gentil e obscuro.
                - Eu disse que não adiantava fugir. Bem, temos assuntos a tratar, não? Veremos se é santo o suficiente para ir ao céu... – seu sorriso alargou-se, enquanto aproximava-se. Três passos, dois passos, um passo; estava tão próximo dos rapazes, que eles eram capazes de sentir seu hálito doente, uma mistura burguesa de chá de canela e maçã com bolachas baratas.
                O frio, se isso era possível, aumentou.
                - Será que não têm coragem de descobrir se são santos? – o padre riu, sua voz nodosa causando um frio gelado na espinha. De repente, sua voz tornou-se sombria. – É melhor aceitarem meu teste. Não gosto de desobediência, e desobedecer a igreja é heresia... e lugar de herege é no inferno.
                Facilmente, mesmo com seu corpo avantajado e pesado, ele prendeu os dois rapazes congelados de medo com duas algemas interligadas. Sem pressa, levou-os em direção a neblina, em direção ao lugar em que sua doentia religiosidade levava os ímpios e fieis à morte...
                A coruja, ao longe, piou mais uma vez.

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Peço desculpas pelo hiato do blog. Bem, voltei, agora, com parte de um conto um pouco estranho. Faz um tempo que tento começa-lo a escrever, mas não sabia muito bem como desenvolver a narrativa, então... Ai está o inicio dele, apesar de eu não saber se escreverei a continuação (haha). 

Para quem não entendeu, eu explico: o conto começa com Fred e Jonh, dois amigos que acabaram de chegar numa pequena cidade do interior. Apesar da estória acontecer neste século, a cidade é isolada o suficiente para seus cidadãos agirem como os de cem anos atrás. É nesse local que vive o estranho Padre Vinicius, que sempre tivera hábitos esquisitos, apesar de ninguém nunca desconfiar que ele era o responsavel pelo sumiço de fieis da cidade. Seu objetivo? Testar a 'santidade" das pessoas, e, dependendo do resultado (ou não, haha), matá-las. 

Sei que acabei contando tudo, e tal, mas, como não tenho certeza se vou continuar a escrever o conto, que pelo menos vocês entendam esse confuso incio. 

Até breve. [; Tentarei postar mais, mesmo que meus textos não saiam tão bons quanto eu acho que deveriam sair. ^^
Ja nee...

sábado, 7 de janeiro de 2012

***


Eu tinha muito o que dizer, mas acabei calando-me sem dizer nada. É melhor assim, não? Talvez. Quem sabe.

O ano novo começou... Sim, mais outro. Eu pensava em pôr no papel palavras bonitas, um montão delas, que dessem esperanças à pessoas que nunca vi e  à outras que já vi demais, e não me canso de ver, também - gosto mais delas, e, sempre e sempre, minhas fragéis palavras se dirigem à estas almas. É certo, as palavras transformam. E transformar é fascinante, sei disso. Gosto de ver como as palavras conquistam, como emocionam, como fazem feliz. Gosto de escrever, e escrevo por isso, escrevo pelos leitores. Mas, sobre o ano novo, não tenho o que dizer. Não tenho à quem dirigir palavras.
Sim, sem palavras bonitas, sem falsas esperanças e sem vírgulas enfeitadas. Melhor ainda, sem pontos finais. Sim, que o texto continue sem nada mais do que a realidade, e que ela não te desagrade. Por quê sentir-se chateado com a vida? Ela é boa, muito boa! Com as tristezas e infelicidades, ela é perfeita. O ano novo, como no anterior, será cheio dela - cheio dessa vida tão contínua e impontuável -, e será bom aproveitá-la (de novo). Por quê não? Se me é concedido mais um dia, creio que é bom que eu o viva. Viver é bom. É necessário. Estamos aqui para isso, não? Esse é nosso ofício, viver é nossa função. Nada mais importa; não desejo, à você, riquezas ou saúde, nesse novo ano. Desejo que você viva. Viva e que continue a viver. Não importa se está enfrentando uma doença terminal, ou se está à ponto da falência, ou se já lhe tiraram tudo (até o amor)... Não importa. Espero que você viva. E que queira viver.
Acredite... Quem está dentro, quer sair; mas quem está à ponto de ser jogado porta afora, quer desesperadamente se manter dentro. Por isso aproveite. Por isso viva. Viva e continue vivendo. Esse é meu desejo para você. Esse é meu desejo para mim mesma. Que vivamos juntos. Que escrevamos esse livro de mãos dadas, com os dedos entrelaçados e os corações unidos. Isso é o que podemos fazer, para sobreviver à inexistência das palavras bonitas... É o que podemos fazer para sobreviver à realidade e sua presença inesquecível. Não estamos num conto de fadas, mas que possamos falar e escrever, que possamos transformar esse conto num conto feliz. Sim, que vivamos, e que sejamos felizes por estarmos vivos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eternidade


Odiava aquele lugar. Odiava aquele cheiro puro e artificial; o odor insuportável da doença e da tentativa de cura; da morte e da esperança de vida. Virei-me na cadeira - tão desconfortável - e fitei a única janela daquele triste quarto de hospital. O céu, ironicamente, estava azul, ignorando totalmente a reviravolta que acontecia em minha vida - na vida das pessoas que eu mais gostava.
Afinal, de que serve a vida, se podemos perdê-la tão rapidamente? Por quê ela é tão frágil e fraca?Por quê? Diga-me, Kaeda: por quê?
O barulho das máquinas, aquele bip bip doentio, continua tocando fracamente. Posso sentir a aura da morte rondar meus pés e entrar debaixo da cama do hospital, posso ver como ela se entranha na pessoa que mais amo no mundo e mais linda, mesmo tão pálida e vestida com aquela camisola de hospital. É triste ver como sua vida... todas suas lembranças... estão sendo seguras por máquinas. Máquinas. Pedaços de metal e fios. Meras máquinas.
Máquinas. Elas não possuem ossos, ou músculos; são apenas parafusos e fios, todos emaranhados numa confusão esquisita. Uma imitação de nós, homens, que nem de longe se parece com os humanos. Sim, são isso as máquinas.
Máquinas são mais fortes que nós. As nossas criações, invenções inúteis, podem viver por mais tempo, duram gerações. E nós - nós morremos. Ela... Ela prometeu-me que ficaria comigo, que me acompanharia, que não me deixaria sozinho... E está deitada nessa cama de hospital. Com a vida segura por essas máquinas nojentas...
Vi um pássaro cortar o céu, lá fora. As nuvens são seus limites, e suas asas são sua vida. Queria eu voar. Voar e me perder naquele azul puro, cortar as nuvens e respirar aquele ar nostálgico. Ao invés disso, estou aqui. Você, Kaeda, também está. 
Fixei meus olhos no rosto pálido. A cabeça da garota descansava pesadamente no travesseiro, fazendo curvas naquele objeto fofo. Havia fios por todos os lados, na menina, e seus cabelos, antes curtos, estavam longos e sem brilho. Tal qual uma máquina. Meus olhos começaram a queimar, quando percebi que ela me fitava também, e me dirigia um sorriso leve e doce.
Deus, não deixe que ela vá... Faça com que fique.
- Kaeda... - principiei, mas não havia palavras. Para que dizê-las, então? Elas estão lá fora. E eu não posso buscá-las.
Não sei por quanto tempo fiquei ali, olhando-a. E não sei quando seus olhos começaram a fechar-se, lentamente, como se estivesse decorando cada expressão de meu rosto. Meus dedos apertavam os dela com força, até que senti que seria capaz de tirar sangue de sua pele frágil. Seus olhos continuavam a pestanejar e a fechar-se. Cada vez mais eu a via caminhar para o mundo da escuridão... Até que, sem aviso prévio, Kaeda fechou os olhos totalmente. E nunca mais os abriu.
Oh, a morte, doce e lenta como ela é, levou-a em seus braços apertados e esqueleticos. Sim, podia ver ambas, ali, e podia sentir o cheiro. O hospital, o quarto, as máquinas - tudo, tudo continuava ali... Até mesmo aquele corpo pálido e adoecido; morto. Eu poderia fingir que ela estava viva, e poderia conversar com ela, não? Sim, poderia. Tudo era como antes... Mas ela abandonou-me. Não havia alma naquele conjunto de carne à minha frente, não havia alma e nem seu coração batia. Afinal, é par isso que nosso corpo serve, não? Mas pensar nisso... não tirava de mim a dor. Minha irmã, que me amara e que amei, me abandonou...
E não tinha pretensão de voltar. Nem hoje, nem nunca. Afinal, a morte é eterna; tal qual nossa alma, ela vive para sempre.

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Desculpem-me pela demora absurda para postar algo. Pensei até em escrever algo para o ano novo, mas nenhuma ideia veio-lhe à mente... Bem, desejo a todos um feliz 2012. Que Deus abençoe à todos.

Obs.: esse texto foi escrito baseado em Minoru-san, do anime/mangá Chobits. Estava lendo o mangá da série, quando vi a passagem em que Minoru conta o dia da morte de sua irmã... Claro, viajei um pouco no texto, e as sensações retratadas aqui foram de acordo com o que eu mesma senti - estando na pele do personagem. Bem, é isso.
Espero que não tenha saído tão ruim.

Até logo...

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