A última badalada do sino ecoava pela pequena cidade, numa nove horas de uma noite escura e fria.
Uma nevoa pesada e sufocante cobria toda a região próxima da igreja, como se
fosse uma enorme cortina, enquanto morcegos sobrevoavam a praça vazia. Uma coruja
pia ao longe. Uma pessoa acelera o passo, corre, arfa por ar, tenta escapar das
visões, dos crimes , de confusão... principalmente, de confessionários.
Aliás,
ele desejava nunca mais ter de olhar na cara de um padre, fosse ele quem fosse.
As
casas se apertavam ao seu redor, enquanto ele tentava correr no meio da nevoa.
Ele pode sentir a presença dos morcegos, logo acima de sua cabeça, e, mesmo sem
poder enxergar nada além do que seu próprio desespero, podia jurar que milhares
de olhos o fitavam com ódio. Mas o que fizera? Por hora, era melhor não pensar
em nada, era melhor correr. Apenas fugir. Ir para longe. Sair daquela maldita
cidade. Tranquila? Quem lhe dissera aquela piada irônica? Aquela cidade estava
longe de ser tranqüila...
Parou
de frente a casa que estava hospedado, e, desesperado, bateu na madeira da
porta com muita força. Suas mãos
tremiam, e seus olhos não cansavam de olhar ao redor, como se isso fosse fazê-lo
capaz de enxergar na escuridão. Em dez segundos longos a porta se abriu, com o
rosto de seu amigo, um rapaz cheio de espinhas e cabelos escuros, sendo
iluminado por uma vela já gasta.
- Fred,
precisamos ir. Temos que sair daqui! – sua voz saia tremula, mas ele não teve
força de vontade para pô-la mais firme.
O outro
lhe dirigiu um olhar cético, as sobrancelhas franzidas com humor, enquanto
tentava esconder um sorrisinho zombeteiro pelo estado lamentável do amigo.
- Ora,
o que foi agora? Algum dono de loja quer matá-lo, por tentar namorar suas
mulheres, ou apenas “pegou” mais um peixe e esqueceu de pagá-lo? – apesar do
esforço, a voz de Fred mostrava com maestria toda a diversão que sentia.
Um
guincho, como esgar de garganta humana, ecoou pela rua; mas o som estava mais próximo
do bestial do que do humano. Fred calou-se, assustado, e sentiu-se empalidecer
enquanto olhava ao redor da rua, buscando inutilmente a fonte do som. Seus
olhos voltaram-se para o amigo John novamente, uma sombra de indagação e medo
nos olhos.
- O que
fez? – uma única frase. Era a única que conseguia dizer.
-
N-n-n-nada! Juro! Foi aquele maldito padre! Temos que sair daqui, antes que ele
apareça com as loucuras dele. Ele é louco!
Da
escuridão enevoada, saiu um sombra. Lenta, mordaz, sua capa negra tremulando no
vento. Fred e Jonh, sentindo os ossos tremerem dentro dos músculos amortecidos
pelo medo, fixaram os olhos na imagem, até ela estar próxima o suficiente para
identificá-lo... Padre Vinicius sorriu para eles, um sorriso gentil e obscuro.
- Eu
disse que não adiantava fugir. Bem, temos assuntos a tratar, não? Veremos se é santo
o suficiente para ir ao céu... – seu sorriso alargou-se, enquanto
aproximava-se. Três passos, dois passos, um passo; estava tão próximo dos
rapazes, que eles eram capazes de sentir seu hálito doente, uma mistura
burguesa de chá de canela e maçã com bolachas baratas.
O frio,
se isso era possível, aumentou.
- Será
que não têm coragem de descobrir se são santos? – o padre riu, sua voz nodosa
causando um frio gelado na espinha. De repente, sua voz tornou-se sombria. – É melhor
aceitarem meu teste. Não gosto de desobediência, e desobedecer a igreja é
heresia... e lugar de herege é no inferno.
Facilmente,
mesmo com seu corpo avantajado e pesado, ele prendeu os dois rapazes congelados
de medo com duas algemas interligadas. Sem pressa, levou-os em direção a
neblina, em direção ao lugar em que sua doentia religiosidade levava os ímpios e
fieis à morte...
A coruja,
ao longe, piou mais uma vez.
------------------------------------------------------------------------------------
Peço desculpas pelo hiato do blog. Bem, voltei, agora, com parte de um conto um pouco estranho. Faz um tempo que tento começa-lo a escrever, mas não sabia muito bem como desenvolver a narrativa, então... Ai está o inicio dele, apesar de eu não saber se escreverei a continuação (haha).
Para quem não entendeu, eu explico: o conto começa com Fred e Jonh, dois amigos que acabaram de chegar numa pequena cidade do interior. Apesar da estória acontecer neste século, a cidade é isolada o suficiente para seus cidadãos agirem como os de cem anos atrás. É nesse local que vive o estranho Padre Vinicius, que sempre tivera hábitos esquisitos, apesar de ninguém nunca desconfiar que ele era o responsavel pelo sumiço de fieis da cidade. Seu objetivo? Testar a 'santidade" das pessoas, e, dependendo do resultado (ou não, haha), matá-las.
Sei que acabei contando tudo, e tal, mas, como não tenho certeza se vou continuar a escrever o conto, que pelo menos vocês entendam esse confuso incio.
Até breve. [; Tentarei postar mais, mesmo que meus textos não saiam tão bons quanto eu acho que deveriam sair. ^^
Ja nee...
Oneesama, acho que o nome Jonh não existe, o certo seria John ou Jon.
ResponderExcluirNão vou perguntar, apenas vou esperar pacientemente a resposta para o título '217' no decorrer da estória.
Shizuka, quer postar minha horrenda Love Chronicles completa aqui? *-* Se você topar, eu topo.
HAUHAUAHUAHAU, eu fui fazer um monte de coisas loucas aqui e esqueci de apertar o botão de 'publicar' O_O'
Ok, ok, bai bai oneesama.
Incrivel!!
ResponderExcluirA ideia do texto é perfeita! De começo eu acho que 217 é o número da casa onde eles moram, ou talvez seja o número de testes que o padre vai fazer hahaha!
Beijos!