quarta-feira, 26 de março de 2014

A flor do mal

"Eu quis você
   E me perdi
Você não viu
E eu não senti"
- As flores do mal,
Legião Urbana
Alguns perguntariam o que estou fazendo aqui.

A resposta é muito menos romântica e sonhadora, se for saída do fundo de minhas entranhas. Estou aqui, caro leitor ou leitora distraída pelos desalentos da vida, porquê sou estúpida. Boba demais para fugir, presa demais ao que o meu - tão estúpido quanto esta quem vos escreve - coração grita em meus ouvidos. Boba, besta, esperançosa... O MPB parece definir minha essência, aquela que eu menos quero para mim. Bem, minha dor ao menos tem bom gosto.

       A razão fala para mim coisas que ignoro há mais passagens de lua do que eu e os Maias conseguimos contar. Eu achava, sinceramente, que eram dias, mas o calendário da parede marcam muito mais que uma dezena de semanas desde aquele dia. E - ai de quem duvide! -, séculos já podem ter sido cruzados. Em um segundo, o infinito. Aquele dia. O dia que não cabe no infinito. O infinito que não comporta, suporta ou se importa com os pequenos grandes momentos.

Sim, aquele dia.

E, sim, estou falando daquele dia em que conheci você.

Não precisa olhar para trás ou para os lados. O acusado desse crime cruel é você mesmo. Sem tirar ou pôr. Sinta-se julgado. Não culparei o destino, esse pobre inocente. O que ele fez? Não. A culpa, a inatural dor, é do homem. Afinal, a natureza do estar vivo nada mais é do que um grande paraíso doce, e de estragar paraísos quem entende é o homem.

E, pois é, nesse exato momento eu estou parecendo tão louca quanto as vozes que ouço. Estou tonta, diria que um pouco bêbada. E não mais me importo com meu porco português, porquê há algo que suplanta qualquer sentimento, não importa a importância e força deste último. A raiva. E a estupidez.

Minha estupidez é quase um ser vivo, algo que se alimenta do resto de meu corpo enquanto cresce, evolui como um bicho. Perceber isso talvez seja um sinal de uma mínima razão inteligente minha, mas quem garante? A raiva e a estupidez estão brigando agora, uma guerra territorial que eu, me perdoe, não quero mais interferir. E para quê? Onde colocar a esperança num território tão hostil e frustrante?

No entanto, mesmo assim, cá estou eu. Sendo estúpida, amando estupidamente. A esperança rastejando pelo meu corpo, enquanto a raiva e a razão tentam se estabelecer no resto. Sou besta, eu sonho. Burra, tenho fé. Duas faces de mim - eu mesma.

sábado, 22 de março de 2014

Acordei com vontade do fim,
E desculpe se isso soa repetitivo
Mas nós mudamos,
Como deveria ser.
Será que o fim é tão certo?
Será que nos deparamos com uma rua sem saída?
Você encontrará muito com o que se encantar
Estarei sozinha, talvez
Mas segura, sempre
Então, sem respostas, durmo
Sem saber se ainda tenho a vontade do fim
Ou a vontade do fim é que me tem.