domingo, 13 de abril de 2014

Punhado de palavras

Te ver me causa dor
    Por que dói tanto?
Não devia. É errado.
   Sujo. Sou eu.
Por que tanto amor,
   se eu sei que você
não ama a mim?
   É justo?
      Justiça divina.
 Sujeira destinada.
     Dor merecida.
Quero um remédio,
paz
   E um pouco de
        espirito.
  Mas não mais
      o gostar.
  Não mais o
      querer.
   Não mais o
    sofrer sem
  o bem querer.
 E é justo que
me olhem com
   tanto amor?
   Tenho pena,
dói também em mim.
  Um me desculpe
 será o suficiente?
   Um me perdoe
   surtirá efeito?
Não há poesia em mim,
 muito menos bondade,
   Apenas confusão
e um punhado de palavras.



"Obrigado 
Por ter se mandado 
Ter me condenado a tanta liberdade 
Pelas tardes nunca foi tão tarde 
Teus abraços, tuas ameaças

Obrigado 
Por eu ter te amado 
Com a fidelidade de um bicho amestrado 
Pelas vezes que eu chorei sem vontade 
Pra te impressionar, causar piedade

Pelos dias de cão, muito obrigado 
Pela frase feita 
Por esculhambar meu coração 
Antiquado e careta 
Me trair, me dar inspiração 
Preu ganhar dinheiro"
- Obrigado (Por ter se mandado),
Cazuza

terça-feira, 1 de abril de 2014

Leões e desafetos

Estou cansada da ilusão, e me perdoem aqueles que a cultivam. Há algo de errado e sinistro nela. É como um fantasma, uma obra inacabada no centro da cidade. Está lá, vejo-a todos os dias. Sinto a curiosidade de adentrar entre seus ferros, caminhar entre o seu cheiro de ferrugem. Mas do que adianta? Como fugir? Ah, meu caro, isso eu sempre quis saber, mais especialmente agora. Estou tentando fugir desse leão – e que leão ele se mostrou ser!

O problema, o grande problema, quase tão grande quanto o universo que cabe em mim, é que eu adoro esse animal voraz, ferrenho, sutil e tímido. Adoro, amo-o tanto. Como conseguirei fugir de tua armadilha, tua boca feroz? No pecado há sempre o sabor gostoso do errado. Provo dele agora. Desculpe-me por isso, mas eu acho que preciso dizer para esse mundo vazio – em que eu e eu dialogamos como velhas amigas – que eu amo alguém. Amo, amo mesmo. Mas será que amo? Estou com fome. Já não sei se a fome é minha ou de meu coração meio adoentado, enfermo pelas doenças da vida, do universo. Casos e desacasos. Não acredito em destino. Meus pés pisam em pontes que eu mesma construí. Se elas cederam? Tudo bem, posso construir outras, certo? Alguém me ajudará? Não conto mais com isso.

E no fundo, bem no fundo, estou contando.

Ah, esses leões...


Não quero mais esperanças. As cartas já foram postas na mesa. Quero a feiura da certeza. Mentiras bonitas, não, obrigada. Já me basta ter que viver. 

1º de abril

"E dizem que a solidão até que me cai bem" - Legião Urbana

Eu queria dizer muito, á começar do fim. Não sou daquelas que tem coragem, infelizmente. Nem das que gosta do convencional. Mas não me arrependo de nada que não fiz, ou talvez eu me arrependa, no âmago do meu ser.

 Quem sabe?

Há quem diga que escrevo por ser louca. Chego à conclusão de que estão todos certos. Sou louca varrida, solitária inveterada. Lembro-me bem daqueles dias longínquos, quando me definir era mais fácil. Solitária, calada, um pouco disso e daquilo, tudo no meio termo. Sim, confesso que sempre fui tudo isso. E como poderia negar? Atualmente, estou em meu período de afirmação. Confirmo que sou idiota, tola. Nunca soube amar. Se estou triste? Oh, sim, também confirmo isso! E que mais perguntas venham, certamente todas serão respondidas com um sim meio simbólico, retraído, um pouco de tímido e de ousado.


Hoje é 1º de abril, mas tudo em que consigo pensar é na verdade das coisas. Tudo é muito forte, cruel. Não, não. Para que mais mentiras, afinal? Estou aqui, em meu quarto, já cansada de enxugar lágrimas. Alguém além de mim cansa de chorar? Já cansei, e muito. Essa atividade não me atrai. Não vejo mais sentido. E não me pergunte mais nada. O sim que quer sair de meus lábios é o mesmo que me machucou horas atrás. Machucou, não. Me surrou. Tirou de mim o pouco de sangue que me restava. Nada muito grave, acho que ainda estou viva. Será? Há sempre a dúvida. E há sempre mais um sim, seja ele fruto do 1º de abril ou não.

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