"E dizem que a solidão até que me cai bem" - Legião Urbana
Eu queria dizer muito, á começar do fim. Não sou daquelas
que tem coragem, infelizmente. Nem das que gosta do convencional. Mas não me
arrependo de nada que não fiz, ou talvez eu me arrependa, no âmago do meu ser.
Quem sabe?
Há quem diga que escrevo por ser
louca. Chego à conclusão de que estão todos certos. Sou louca varrida,
solitária inveterada. Lembro-me bem daqueles dias longínquos, quando me definir
era mais fácil. Solitária, calada, um pouco disso e daquilo, tudo no meio termo.
Sim, confesso que sempre fui tudo isso. E como poderia negar? Atualmente, estou
em meu período de afirmação. Confirmo que sou idiota, tola. Nunca soube amar.
Se estou triste? Oh, sim, também confirmo isso! E que mais perguntas venham,
certamente todas serão respondidas com um sim meio simbólico, retraído, um
pouco de tímido e de ousado.
Hoje é 1º de abril, mas tudo em
que consigo pensar é na verdade das coisas. Tudo é muito forte, cruel. Não,
não. Para que mais mentiras, afinal? Estou aqui, em meu quarto, já cansada de
enxugar lágrimas. Alguém além de mim cansa de chorar? Já cansei, e muito. Essa atividade não me atrai. Não
vejo mais sentido. E não me pergunte mais nada. O sim que quer sair de meus
lábios é o mesmo que me machucou horas atrás. Machucou, não. Me surrou. Tirou
de mim o pouco de sangue que me restava. Nada muito grave, acho que ainda estou
viva. Será? Há sempre a dúvida. E há sempre mais um sim, seja ele fruto do 1º
de abril ou não.
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