terça-feira, 1 de abril de 2014

1º de abril

"E dizem que a solidão até que me cai bem" - Legião Urbana

Eu queria dizer muito, á começar do fim. Não sou daquelas que tem coragem, infelizmente. Nem das que gosta do convencional. Mas não me arrependo de nada que não fiz, ou talvez eu me arrependa, no âmago do meu ser.

 Quem sabe?

Há quem diga que escrevo por ser louca. Chego à conclusão de que estão todos certos. Sou louca varrida, solitária inveterada. Lembro-me bem daqueles dias longínquos, quando me definir era mais fácil. Solitária, calada, um pouco disso e daquilo, tudo no meio termo. Sim, confesso que sempre fui tudo isso. E como poderia negar? Atualmente, estou em meu período de afirmação. Confirmo que sou idiota, tola. Nunca soube amar. Se estou triste? Oh, sim, também confirmo isso! E que mais perguntas venham, certamente todas serão respondidas com um sim meio simbólico, retraído, um pouco de tímido e de ousado.


Hoje é 1º de abril, mas tudo em que consigo pensar é na verdade das coisas. Tudo é muito forte, cruel. Não, não. Para que mais mentiras, afinal? Estou aqui, em meu quarto, já cansada de enxugar lágrimas. Alguém além de mim cansa de chorar? Já cansei, e muito. Essa atividade não me atrai. Não vejo mais sentido. E não me pergunte mais nada. O sim que quer sair de meus lábios é o mesmo que me machucou horas atrás. Machucou, não. Me surrou. Tirou de mim o pouco de sangue que me restava. Nada muito grave, acho que ainda estou viva. Será? Há sempre a dúvida. E há sempre mais um sim, seja ele fruto do 1º de abril ou não.

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