"A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra"
- Cazuza
Estamos num jogo, e há muito somos os perdedores. Num jogo
de política, poder, sujeira. Mesmo de tão longe, consigo sentir o cheiro podre
da burguesia e sua falsa preocupação, sinto o odor das mentiras e da hipocrisia.
E, o outro lado, o lado de cá, nunca muda; estamos de volta à era medieval, à
época de colônia, onde nada se movia, nada mudava, tudo era o mesmo sempre e
para sempre. Ou talvez, e o que é mais provável, nunca tenhamos saído da era de
colônia, da época em que os escravos eram escravos e os nobres eram nobres.
Somos os mesmos. Somos como nossos pais.
A vida
é injusta? Não. A população é ignorante, inocente e não sabe jogar. Esse jogo é
para os espertos, esse jogo é para quem sabe roubar. O Brasil é uma piada
medieval, um livro bonitinho mas falso. Belezas naturais? Certamente, elas
devem existir, em algum lugar. Em algum lugar, por detrás dos lixões, por
detrás da falta de educação e descaso. Porém, sim, elas devem existir. E,
enquanto os ricos continuam ricos e solitários, e os pobres continuam com o
estomago vazio, o governador continua barganhando com suas mentiras, como se
fosse alguém mais do que um fantoche. Democracia? Não me faça rir! Os poderosos
podem ser tudo, menos democrático.
Até quando viveremos como prisioneiros de nosso próprio lar? Quando acordaremos e
tiraremos do poder todos esses burgueses fedidos e podres? O que estamos
esperando? A justiça, a mão de Deus sobre nós? Nenhum ser divino poderá nos
salvar dos dedos nodosos de nossa presidenta e de nossos governantes. Deus não
existe para isso. Nós – nós que os colocamos no poder – é que temos de
arrancá-los de lá, usando unhas ou usando dentes. A arma está nas nossas
mãos... só falta usá-la.
Aos
políticos, meus mais íntimos algozes, digo uma coisa: esperem pelo troco, pois
ele virá. Se acham que poderão aumentar seus próprios bolsos para sempre, dando
esmola aos pobres trabalhadores como se fossemos indigentes, estão enganados. O
poder estraga as pessoas, estraga os lugares, mas não os torna melhor ou pior
do que ninguém... Vocês irão morrer, como nós, suas carnes apodrecerão, como
nós. Quem sabe, no seu enterro não vá ninguém, todos estarão brigando pela
maior parte da herança, em algum escritório à mil quilômetros de seu túmulo.
Quem sabe vá alguém, com seus óculos escuros para esconder a falta de lagrimas
e a insinceridade. Talvez eu deva dizer que os burgueses se merecem. Pois é
assim que as coisas são.
É assim
que vai ser.
Mas, talvez, não sejamos capazes de parar a burguesia... Porque todos, eu e você, temos vontade de sermos burgueses.
Não podemos parar aquilo que admiramos.
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Acho que o texto não abre alas para meus próprios comentários.
Talvez eu devesse só informar que escrevi o texto pensando em duas músicas, apesar de serem do mesmo cantor: Medieval e Burguesia, ambas de Cazuza.
Para quem não acredita que os políticos sejam tão... mesquinhos (usando uma palavra bonitinha)... Aqui vai uma coisa. Leia essa notícia do jornal: Aqui.
É assim que são, não só os políticos, todos os brasileiros.
De alguma forma, todos somos burgueses.