sexta-feira, 10 de outubro de 2014

E fomos

O caminhar ligeiro era interrompido pela dor, o conhecimento descompessado de quem não quer. A luz no lado certo, o frio da parede em minha pele leve e dura. Nela, os ossos. Nela, eu.
Eu não saberia dizer se em meus olhos havia dor, nojo ou prazer. Muito menos onde um começa e o outro termina. Seu corpo, que poderia e talvez seja o meu, tremia. Tremiamos. Os musculos retesados pelo pavor de não ser o que quer. Ou quer? Queremos? Qual o limite da inexistência, o limiar do homem? Somos pele, osso e corpo, ou alma e razão? Eu poderia responder com muito, mas todas as palavras me parecem fúteis e inuteis. Tanto para mim, quanto para ele. Porque somos iguais, apesar do sexo doente e dos olhos meio mortos. Somos, eu e ele; meras sombras do querer ser.
E foi. E fomos.

0 comentários:

Postar um comentário

Siga-me pelo email [;