domingo, 14 de dezembro de 2014

Tirem de mim as penas

Socorro.
         Socorro, eu não estou sentindo nada. NADA!
         Nem medo, nem calor, nem fogo, não vai dar mais pra chorar, nem pra rir...

         Socorro, eu estou sentindo, sentindo muito. Demais. Tirem de mim, me deem de volta o nada tão frio e tranquilo.
        Não quero amar, nem dor alguma. Não quero você, e - tudo bem -, também não quero a mim. Quero o vácuo, o universo escuro, o socorro da ficção.

II
        Meu corpo confunde os sinais da mente; ou será que meu coração é  que confunde os sinais do corpo?
        Me tirem daqui. Eu não quero essa água. Ela quer escorrer. Ela está escorrendo.
        E a ladeira é longa, vertical. Mas ignorem, estou louca. A loucura toma de mim o que havia de melhor. O pior é forte demais para ir embora.

III
       Se me perguntasse algo que mais quero agora, eu não gostaria dos sinais de minha carne doentia.
       Doente. Doente. A doença está latente, o diagnóstico foi ignorado.
       O que me faz sempre voltar àquela cama fria, a febre ainda presa nos lençóis? A doença, sim. Essa loucura vã que me mata aos poucos.

IV
       Pouquinho. Pouquinho.
       As palavras não cessam nem cerceiam. Os erros. Eles estão aqui.

V
       Direta. Preciso de direção. O mapa astral não me ajuda; seu astral também não.
       Me explique, então, o que é isso. O que somos nós? Como sentir algo desconhecido?
       E se nada for real? As teclas pareceriam certas.
       É a loucura. Loucura em todos os pontos e virgulas. Dedos, desavenças e teclas.
       Tac-tac-tac-tac. Amor.

VI
       É a depressão suave da geografia. Alguém me desbrave. Me mapeie. Alguém se importe.
       O pouco está valendo. Ele sempre foi muito.
       Mas há algo de solitário naqueles lençóis.
       Ele. Eu. O ponto nos separa, ou é o que nos une?
       Seu sorriso. Meu. Seu. O nosso é um mistério, um segredo à 7 mais algumas chaves.
       E cadê elas? Quem as perdeu?

VII
       Me diga.
       Socorro.
       Estou sentindo.
       É o medo, calor, fogo, choro - riso. Você consegue ouvir?
       Socorro. Isso não é um grito. Essas penas. Tirem de mim as penas.
       Amor. Dor. Cadê o nada?
       Apenas socorro.

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