domingo, 29 de janeiro de 2012

217


A última badalada do sino ecoava pela pequena cidade,  numa nove horas de uma noite escura e fria. Uma nevoa pesada e sufocante cobria toda a região próxima da igreja, como se fosse uma enorme cortina, enquanto morcegos sobrevoavam a praça vazia. Uma coruja pia ao longe. Uma pessoa acelera o passo, corre, arfa por ar, tenta escapar das visões, dos crimes , de confusão... principalmente, de confessionários.
                Aliás, ele desejava nunca mais ter de olhar na cara de um padre, fosse ele quem fosse.
                As casas se apertavam ao seu redor, enquanto ele tentava correr no meio da nevoa. Ele pode sentir a presença dos morcegos, logo acima de sua cabeça, e, mesmo sem poder enxergar nada além do que seu próprio desespero, podia jurar que milhares de olhos o fitavam com ódio. Mas o que fizera? Por hora, era melhor não pensar em nada, era melhor correr. Apenas fugir. Ir para longe. Sair daquela maldita cidade. Tranquila? Quem lhe dissera aquela piada irônica? Aquela cidade estava longe de ser tranqüila...
                Parou de frente a casa que estava hospedado, e, desesperado, bateu na madeira da porta  com muita força. Suas mãos tremiam, e seus olhos não cansavam de olhar ao redor, como se isso fosse fazê-lo capaz de enxergar na escuridão. Em dez segundos longos a porta se abriu, com o rosto de seu amigo, um rapaz cheio de espinhas e cabelos escuros, sendo iluminado por uma vela já gasta.
                - Fred, precisamos ir. Temos que sair daqui! – sua voz saia tremula, mas ele não teve força de vontade para pô-la mais firme.
                O outro lhe dirigiu um olhar cético, as sobrancelhas franzidas com humor, enquanto tentava esconder um sorrisinho zombeteiro pelo estado lamentável do amigo.
                - Ora, o que foi agora? Algum dono de loja quer matá-lo, por tentar namorar suas mulheres, ou apenas “pegou” mais um peixe e esqueceu de pagá-lo? – apesar do esforço, a voz de Fred mostrava com maestria toda a diversão que sentia.
                Um guincho, como esgar de garganta humana, ecoou pela rua; mas o som estava mais próximo do bestial do que do humano. Fred calou-se, assustado, e sentiu-se empalidecer enquanto olhava ao redor da rua, buscando inutilmente a fonte do som. Seus olhos voltaram-se para o amigo John novamente, uma sombra de indagação e medo nos olhos.
                - O que fez? – uma única frase. Era a única que conseguia dizer.
                - N-n-n-nada! Juro! Foi aquele maldito padre! Temos que sair daqui, antes que ele apareça com as loucuras dele. Ele é louco!
                Da escuridão enevoada, saiu um sombra. Lenta, mordaz, sua capa negra tremulando no vento. Fred e Jonh, sentindo os ossos tremerem dentro dos músculos amortecidos pelo medo, fixaram os olhos na imagem, até ela estar próxima o suficiente para identificá-lo... Padre Vinicius sorriu para eles, um sorriso gentil e obscuro.
                - Eu disse que não adiantava fugir. Bem, temos assuntos a tratar, não? Veremos se é santo o suficiente para ir ao céu... – seu sorriso alargou-se, enquanto aproximava-se. Três passos, dois passos, um passo; estava tão próximo dos rapazes, que eles eram capazes de sentir seu hálito doente, uma mistura burguesa de chá de canela e maçã com bolachas baratas.
                O frio, se isso era possível, aumentou.
                - Será que não têm coragem de descobrir se são santos? – o padre riu, sua voz nodosa causando um frio gelado na espinha. De repente, sua voz tornou-se sombria. – É melhor aceitarem meu teste. Não gosto de desobediência, e desobedecer a igreja é heresia... e lugar de herege é no inferno.
                Facilmente, mesmo com seu corpo avantajado e pesado, ele prendeu os dois rapazes congelados de medo com duas algemas interligadas. Sem pressa, levou-os em direção a neblina, em direção ao lugar em que sua doentia religiosidade levava os ímpios e fieis à morte...
                A coruja, ao longe, piou mais uma vez.

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Peço desculpas pelo hiato do blog. Bem, voltei, agora, com parte de um conto um pouco estranho. Faz um tempo que tento começa-lo a escrever, mas não sabia muito bem como desenvolver a narrativa, então... Ai está o inicio dele, apesar de eu não saber se escreverei a continuação (haha). 

Para quem não entendeu, eu explico: o conto começa com Fred e Jonh, dois amigos que acabaram de chegar numa pequena cidade do interior. Apesar da estória acontecer neste século, a cidade é isolada o suficiente para seus cidadãos agirem como os de cem anos atrás. É nesse local que vive o estranho Padre Vinicius, que sempre tivera hábitos esquisitos, apesar de ninguém nunca desconfiar que ele era o responsavel pelo sumiço de fieis da cidade. Seu objetivo? Testar a 'santidade" das pessoas, e, dependendo do resultado (ou não, haha), matá-las. 

Sei que acabei contando tudo, e tal, mas, como não tenho certeza se vou continuar a escrever o conto, que pelo menos vocês entendam esse confuso incio. 

Até breve. [; Tentarei postar mais, mesmo que meus textos não saiam tão bons quanto eu acho que deveriam sair. ^^
Ja nee...

sábado, 7 de janeiro de 2012

***


Eu tinha muito o que dizer, mas acabei calando-me sem dizer nada. É melhor assim, não? Talvez. Quem sabe.

O ano novo começou... Sim, mais outro. Eu pensava em pôr no papel palavras bonitas, um montão delas, que dessem esperanças à pessoas que nunca vi e  à outras que já vi demais, e não me canso de ver, também - gosto mais delas, e, sempre e sempre, minhas fragéis palavras se dirigem à estas almas. É certo, as palavras transformam. E transformar é fascinante, sei disso. Gosto de ver como as palavras conquistam, como emocionam, como fazem feliz. Gosto de escrever, e escrevo por isso, escrevo pelos leitores. Mas, sobre o ano novo, não tenho o que dizer. Não tenho à quem dirigir palavras.
Sim, sem palavras bonitas, sem falsas esperanças e sem vírgulas enfeitadas. Melhor ainda, sem pontos finais. Sim, que o texto continue sem nada mais do que a realidade, e que ela não te desagrade. Por quê sentir-se chateado com a vida? Ela é boa, muito boa! Com as tristezas e infelicidades, ela é perfeita. O ano novo, como no anterior, será cheio dela - cheio dessa vida tão contínua e impontuável -, e será bom aproveitá-la (de novo). Por quê não? Se me é concedido mais um dia, creio que é bom que eu o viva. Viver é bom. É necessário. Estamos aqui para isso, não? Esse é nosso ofício, viver é nossa função. Nada mais importa; não desejo, à você, riquezas ou saúde, nesse novo ano. Desejo que você viva. Viva e que continue a viver. Não importa se está enfrentando uma doença terminal, ou se está à ponto da falência, ou se já lhe tiraram tudo (até o amor)... Não importa. Espero que você viva. E que queira viver.
Acredite... Quem está dentro, quer sair; mas quem está à ponto de ser jogado porta afora, quer desesperadamente se manter dentro. Por isso aproveite. Por isso viva. Viva e continue vivendo. Esse é meu desejo para você. Esse é meu desejo para mim mesma. Que vivamos juntos. Que escrevamos esse livro de mãos dadas, com os dedos entrelaçados e os corações unidos. Isso é o que podemos fazer, para sobreviver à inexistência das palavras bonitas... É o que podemos fazer para sobreviver à realidade e sua presença inesquecível. Não estamos num conto de fadas, mas que possamos falar e escrever, que possamos transformar esse conto num conto feliz. Sim, que vivamos, e que sejamos felizes por estarmos vivos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eternidade


Odiava aquele lugar. Odiava aquele cheiro puro e artificial; o odor insuportável da doença e da tentativa de cura; da morte e da esperança de vida. Virei-me na cadeira - tão desconfortável - e fitei a única janela daquele triste quarto de hospital. O céu, ironicamente, estava azul, ignorando totalmente a reviravolta que acontecia em minha vida - na vida das pessoas que eu mais gostava.
Afinal, de que serve a vida, se podemos perdê-la tão rapidamente? Por quê ela é tão frágil e fraca?Por quê? Diga-me, Kaeda: por quê?
O barulho das máquinas, aquele bip bip doentio, continua tocando fracamente. Posso sentir a aura da morte rondar meus pés e entrar debaixo da cama do hospital, posso ver como ela se entranha na pessoa que mais amo no mundo e mais linda, mesmo tão pálida e vestida com aquela camisola de hospital. É triste ver como sua vida... todas suas lembranças... estão sendo seguras por máquinas. Máquinas. Pedaços de metal e fios. Meras máquinas.
Máquinas. Elas não possuem ossos, ou músculos; são apenas parafusos e fios, todos emaranhados numa confusão esquisita. Uma imitação de nós, homens, que nem de longe se parece com os humanos. Sim, são isso as máquinas.
Máquinas são mais fortes que nós. As nossas criações, invenções inúteis, podem viver por mais tempo, duram gerações. E nós - nós morremos. Ela... Ela prometeu-me que ficaria comigo, que me acompanharia, que não me deixaria sozinho... E está deitada nessa cama de hospital. Com a vida segura por essas máquinas nojentas...
Vi um pássaro cortar o céu, lá fora. As nuvens são seus limites, e suas asas são sua vida. Queria eu voar. Voar e me perder naquele azul puro, cortar as nuvens e respirar aquele ar nostálgico. Ao invés disso, estou aqui. Você, Kaeda, também está. 
Fixei meus olhos no rosto pálido. A cabeça da garota descansava pesadamente no travesseiro, fazendo curvas naquele objeto fofo. Havia fios por todos os lados, na menina, e seus cabelos, antes curtos, estavam longos e sem brilho. Tal qual uma máquina. Meus olhos começaram a queimar, quando percebi que ela me fitava também, e me dirigia um sorriso leve e doce.
Deus, não deixe que ela vá... Faça com que fique.
- Kaeda... - principiei, mas não havia palavras. Para que dizê-las, então? Elas estão lá fora. E eu não posso buscá-las.
Não sei por quanto tempo fiquei ali, olhando-a. E não sei quando seus olhos começaram a fechar-se, lentamente, como se estivesse decorando cada expressão de meu rosto. Meus dedos apertavam os dela com força, até que senti que seria capaz de tirar sangue de sua pele frágil. Seus olhos continuavam a pestanejar e a fechar-se. Cada vez mais eu a via caminhar para o mundo da escuridão... Até que, sem aviso prévio, Kaeda fechou os olhos totalmente. E nunca mais os abriu.
Oh, a morte, doce e lenta como ela é, levou-a em seus braços apertados e esqueleticos. Sim, podia ver ambas, ali, e podia sentir o cheiro. O hospital, o quarto, as máquinas - tudo, tudo continuava ali... Até mesmo aquele corpo pálido e adoecido; morto. Eu poderia fingir que ela estava viva, e poderia conversar com ela, não? Sim, poderia. Tudo era como antes... Mas ela abandonou-me. Não havia alma naquele conjunto de carne à minha frente, não havia alma e nem seu coração batia. Afinal, é par isso que nosso corpo serve, não? Mas pensar nisso... não tirava de mim a dor. Minha irmã, que me amara e que amei, me abandonou...
E não tinha pretensão de voltar. Nem hoje, nem nunca. Afinal, a morte é eterna; tal qual nossa alma, ela vive para sempre.

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Desculpem-me pela demora absurda para postar algo. Pensei até em escrever algo para o ano novo, mas nenhuma ideia veio-lhe à mente... Bem, desejo a todos um feliz 2012. Que Deus abençoe à todos.

Obs.: esse texto foi escrito baseado em Minoru-san, do anime/mangá Chobits. Estava lendo o mangá da série, quando vi a passagem em que Minoru conta o dia da morte de sua irmã... Claro, viajei um pouco no texto, e as sensações retratadas aqui foram de acordo com o que eu mesma senti - estando na pele do personagem. Bem, é isso.
Espero que não tenha saído tão ruim.

Até logo...

sábado, 24 de dezembro de 2011

Banco de praça


Se um dia você quiser perturbar uma pessoa, diga que a ama. Se não conseguir perturbá-la, saiba, então, que seus sentimentos não são correspondidos.
               
                Ana acabara de acordar, quando ouviu o telefone tocar. O som alto parecia ecoar pelas paredes solitária de seu pequeno (para não dizer minúsculo) apartamento, com a pintura branca sendo interrompida uma ou duas vezes por quadros pendurados por todos os cantos. Por um instante, Ana pensou em não atender, mas, com a insistência do toque, correu para o aparelho escandaloso e o pôs no ouvido. É interessante como um simples ato pode mudar toda uma vida. Ou mais de uma.
                - Alô. – a voz de Ana deixava, abertamente, transparecer que a conversa seria breve e que ela não estava a fim de papo furado. Mas a voz que respondeu era a única que ela não esperava ouvir.
                - Ana? – um tom mais grosso que há dois anos atrás, perguntou, do outro lado da linha. Na voz, sobressaia um som divertido, como se ele achasse graça da pouca amabilidade que Ana apresentara ao atender o telefonema.
                A garota ficou sem voz por um, dois, três... Ao todo, dez segundos, antes que o rapaz ficasse preocupado e repetisse a pergunta:
                - Ana? Ana, você...
                - Sim, estou. – Ana recuperou a voz e respondeu, mesmo não sabendo qual a pergunta que ele faria. Se pudesse desligaria o telefone e deixaria para trás o passado e aquele homem perturbador... Porém, sua mão não obedecia, e ela permaneceu com o ouvido no aparelho, mais ansiosa de ouvir a outra voz do que ela gostaria de verdadeiramente estar.
                - Ah, entendo. – ele respondeu, agora um pouco mais desanimado, diante o tom frio de sua antiga namorada. – Ana... eu voltei.
                - Percebe-se.
                O som de sua própria voz parecia a de um jogo eletrônico, e a própria Ana odiou ouvi-la. Em sua veia, parecia correr gelo, ao invés de sangue.
                - Hm, é, claro. Eu sei que... Bem... Eu fui um... Quer dizer... – a voz, do outro lado da linha, atrapalhava-se com as palavras. Não era que ele não soubesse o que dizer, ele só não sabia o que falar primeiro.  A quantidade de palavras era muita, para sair de uma única boca.  Ana ouviu um suspiro derrotado. – Certo. Será que não podemos nos encontrar, Ana? Apenas para conversarmos.
                Ela não respondeu.
                - Então, naquele mesmo lugar, à meia-noite, certo? Esteja lá... Eu estarei esperando ansioso.
                E desligou o telefone. Com um misto de derrota e felicidade, Ana afastou o aparelho do ouvido, e ficou a fitá-lo, quase com raiva, ou, talvez, com um amor incomum. De uma forma estranha, amor e raiva sempre foram a mesma coisa. Ana sempre odiou aquilo que amava.
                Era seu dia de folga. E ele passava lento. Passou uma hora, duas, três... cinco, seis. Horas e mais horas. Até que a tarde chegou, rondando como um predador ronda sua presa, antes de matá-la. Ana estava exausta, deitada no sofá, olhando para as manchas de mofo que povoavam o teto branco de sua sala de estar. As molas do sofá rangeram, quando ela mexeu-se um pouco, ansiosa e inquieta, apesar de não confessar à si mesma que o motivo daquilo era... aquele telefonema.
                Chegou as dez horas da noite. Ana estava cansada do relógio e de seu tic-tac constante.  Tentou lembrar-se do passado, e ele veio em lufadas lentas. No inicio, era apenas ela lembrando-se de quando encontrou ele pela primeira vez. Depois, seu primeiro beijo, o primeiro encontro, as tardes que passavam juntos e as noites que estudavam um ao lado do outro. O amor. E a despedida. O passado fluía, então, lentamente, como uma maresia de mar... Não, como uma maresia de amar. Até que Ana tomou uma decisão, levantou-se e correu para o quarto. Arrumou-se, penteou os cabelos negros e rebelde, calçou uma sandália qualquer, e correu.
                Correu como se sua vida dependesse disso. Sua vida, e não só ela, mas também sua felicidade.
                E lá estava ele. E não era nem meia-noite! Quando Ana viu-o, sentiu receio, mas tentava ignorar as torrentes de lágrimas que seus olhos deixaram derramar, enquanto ela corria para o lugar em que se encontrariam. Ela não sabia dizer se estava triste, ansiosa, ou simplesmente muito feliz. O passado e o presente se misturavam em lembranças doces e afiadas. Ao mesmo tempo que ela sorria por lembrar-se dos beijos, chorava por senti-los tão distante. Era uma ambigüidade assustadora.
                - Ana!
                Ele correu ao seu encontro, um sorriso aberto no rosto. Ana, então afastou-se, temerosa. Ele parou, olhando-a um tanto ferido. Seus olhos negros eram o de sempre, o mesmo de dois anos atrás, quando partira para freqüentar uma faculdade no exterior. Ele deixou-a ali, sozinha, sem família, e nem ao menos lhe dirigiu um simples telefonema! Só agora... e depois que ela já se recuperara do trauma da solidão e decidira viver sozinha para sempre...
                - Ana... Você... Eu sinto muito, se a fiz sofrer. – seus braços pendiam ao lado do corpo, enquanto ele fitava ela atentamente. – Eu também sofri. Você não sabe o quanto eu desejei...
                - Basta! Cale-se! Eu já superei isso! Você não precisava ter voltado, eu não te amo mais; será que não entende?! Volte para o lugar de onde veio, e me esqueça!
                Ela virou-se e começou a correr.
                Tudo podia ser diferente.
                Sim, tudo ia ser diferente.
                Ele também correu, alcançou-a, e beijou-a. Um beijo terno, voraz; um beijo contraditório.
                - Mentirosa... Você nunca soube mentir. – e ele sorriu ao dizer isso. – Também te amo, querida. Muito mais do que imagina. – e beijou-a novamente.

                E eu só queria dizer que podia ser diferente, que as escolhas mudam tudo. Se ele não tivesse coragem de ir atrás dela, muito mais do que sua própria vida seria perdida. Ambos saíram dali, os braços dele rodeando o corpo de Ana, e ela com a cabeça levemente encostada no ombro de seu antigo namorado. Atual namorado, corrigindo. E ela não podia imaginar que, naquele mesmo banco de praça em que se abraçaram um trilhão de vezes, no passado, se escondia uma arma; a arma que ele usaria em si mesmo, se ela não o aceitasse de volta. Porque o mesmo amor que nos dá vida... também nos deixa com vontade de tirá-la.

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Bem, sei que faz tempo que não posto nada, e tal. E também sei que o conto não ficou tããão bom quanto deveria. Mas o caso é que, odeio finais tristes, e, um dia desses, eu li um conto na internet sobre essa Ana - que, na verdade, é Marília. O que faz com que eu me sinta levemente tola - ou muito, no caso. A estória é a mesma de meu fanfic - é assim que devo chamar, né? Afinal, a estória, originalmente, não é minha -, só que, no final, o rapaz se matou. Fiquei arrasada, quando li; mas reescrever o final é como uma terapia para mim, e já me sinto bem melhor (haha). 

Na parte em que escrevo, logo no final, "Tudo podia ser diferente", evidentemente eu me referia ao final do conto original... Quando terminei de lê-lo, foi a primeira coisa que pensei. "Tudo podia ser diferente." . E, quer saber de algo engraçado? Coloquei o nome da personagem de Ana, sem me tocar que o nome da pessoa que escreveu o conto original, também é Ana. [;

Para quem quiser ler a estória original, pode ler aqui. Lembre-se, meu conto foi BASEADO no dela, ok? Aliás, a escritora é uma blogueira perfeita, que escreve trilhões de vezes melhor que eu. *o*

Ah, claro, ficou muito tedioso? Albert-nii-chan, se você conseguiu terminar de lê-lo, admiro sua força de vontade. Sei que o conto não faz seu estilo (xD).

Feliz Natal a todos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Capitalistas, não humanos.

Vamos celebrar a estupidez humana, 
A estupidez de todas as nações,
Nosso país e sua corja de assassinos
covardes, estupradores e ladrões.
Vamos celebrar a estupidez do povo,
Nossa polícia e televisão. 
Vamos celebrar o preconceito, 
e o voto dos analfabetos.
- Perfeição, Legião Urbana


Um dia, eu vi num livro a palavra humano. Desde lá, nunca soube o que valia, ou melhor, o que significa essa palavra. Sempre aceitei as pessoas como se fossem músicas, apesar de incompletas. Ouço-as sempre, quando saiu de casa. É magnífico, de uma forma estranha. Porém, e apesar de tudo, ainda não sei o que é ser humano. O que é ser homem ou mulher.
                Alguém me disse - uma voz longe e penetrante - que uma música sem melodia, é uma poesia cantada, e uma música sem letra, uma melodia tocada. Quando saio nas ruas, caminho entre os becos largos, cheios de carros, e ouço diversas destas poesias cantadas, e melodias sem letras. Ouço, e tudo se completa como uma orquestra, uma orquestra mal administrada, misturada. Não há sentido naquilo que não podemos fazer entender, mas eu sei que você sabe que sabemos que é necessário existir tudo, mesmo aquilo que não conseguimos entender. Se o mundo fosse diferente, e nós não fossemos humanos, mas aliens, como seria a vida? Cheia, ou vazia?Sem mim, ou sem você, como seria o mundo?
                Alguém, alguém jovem e cheio de sonhos, disse que apenas um de nós é necessário para mudar o mundo; disse-me que as palavras, as letras perfeitas que se juntam harmonicamente, transformam o universo, mudam o teor do livro. Se nossa língua fosse outra, se as palavras fossem diferentes e a ordem das coisas fosse inversa, como seria a existência? Os sonhos seriam sinceros? Seriamos boas pessoas?
                Alguém, uma pessoa estranha e saída de um universo que parece paralelo à um paraíso de bondade, me disse uma vez: todos somos bons. As pessoas são boas, o mundo que é vil. A esperança está aqui, nas palavras. Como uma oração, peço à algum ser místico que seja verdade, que o as pessoas sejam mesmo boas. Mas ai lembro que quem matou o filho, não foi o mundo... Quem roubou o dinheiro guardado por toda uma vida de alguém que trabalhou muito pra aquilo, não foi o mundo. Humanos. Humanos são bons? O que devo aceitar como bondade, amor ou piedade?
                Alguém, e não conheço essa pessoa, disse que os homens devem se amar, devem se perdoar e se ajudar. Dizem que essa pessoa foi grande, mas as mesmas bocas que se abrem para dizer que Aquele homem foi o maior de todos, também se abrem para afirmar (com toda convicção) que um homem bilionário é genial, um grande homem. Porque o dinheiro é igual ao que a pessoa é. Se você não tem dinheiro, você não tem o seu valor. O seu valor é o que você tem. Como posso acreditar em pessoas que afirmam que Aquele homem, o que pregava o amor, era grande, se, ao mesmo tempo, muitos outros também o são por causa do dinheiro? Não sei o que eles querem dizer com “grande homem”, então. Não sei o que eles querem dizer com “meu ídolo”, ou “essa pessoa é demais”, ou ainda “que pessoa gentil”. Porque as palavras, os adjetivos, já são vazias demais.  São tão ocas quanto as pessoas e suas músicas incompletas, que ouço todos os dias, nas avenidas e nas lojas cheias.
                Mas, afinal, devo aceitar. Porque sou capitalista – somos capitalistas. Capitalistas, não humanos. Não somos homens, não precisamos amar; somos objetos de uso das industrias, e objetos não precisam sentir piedade. Agora entendo. Sim... Agora sei por quê não mudamos e nem transformamos o mundo; sei por quê são raras as pessoas com bondade genuína e por quê quase nunca vejo o amor. Sei por quê as pessoas se casam, prometem fidelidade, e se separam; sei por quê as pessoas se matam por dinheiro, e os chefes tratam os funcionários como vermes. Sei por quê. Porque somos capitalistas, não humanos. Sim, capitalistas, não homens ou mulheres, apenas capitalistas – pessoas que trocam dinheiro por sentimentos e humanidade.  

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Faz algum tempo que não escrevo nenhum texto desse tipo. Geralmente os escrevo enquanto converso comigo mesma, e, é, acho que eles são apenas diálogos que saem de mim para mim mesma. Não sei se consigo me fazer entender com oque escrevo... Sei que esse texto saiu com uma qualidade duvidosa, e, devo acrescentar, o que eu disse não é exatamente uma critica... É um constatamento de fato. Não adianta negar, e acho que não é um pouco impossível tentar mudar.  Nosso mundo inteiro, mesmo os países socialistas - que não são muitos -, é capitalista em sua mais profunda essência. Então não adianta negar.
         
Albert-nii-chan, dessa vez postei algo bem rápido aqui, não? ^^'
Ja nee. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

***


Estou seguindo a trilha para a felicidade.

               Era um dia mais ou menos bonito, com um céu tímido e coberto com algumas nuvens brancas, quando meu mestre chamou-me para a conversa mais importante - e assim ele dizia - da minha vida. Ver seu rosto enrugado e seus olhos que pareciam segurar todo o tempo do mundo, sempre me fazia pensar na vida - não exatamente nela, mas no fim desta. Porque as pessoas vivem - e morrem. E eu sentia que logo meu mestre me deixaria... E ele sabia disso, talvez mais que eu ou que a própria natureza.
                Como ele ordenou, sentei-me numa pedra, de frente à seu olhar pesado. As rugas de seu rosto se converteram em um sorriso leve, com alguns dentes faltando por trás de seus lábios antigos, e ele apontou para o céu e para tudo o que está ao nosso redor.
                - Você pode me dizer o que é a felicidade, meu filho?
                Sua voz se arrastou, rasgou meus ouvidos e deixou-me quase sem ação. Eu odiava as sensações sobrenaturais que meu mestre parecia causar em todos. Ele era humano, mas eu não estava acostumado à vê-lo tão fraco. Desde pequeno, sempre imaginei-o como um deus, e pensava que ele nunca morreria.
                Mas a morte vem. De um jeito, ela sempre vem.
                - Felicidade, mestre?
                - A vida está ao nosso redor. Os pássaros cantam, e novas flores nascem todos os dias; as nuvens que cobrem o céu logo se transformam em chuva, e a chuva se transforma em vida, e a vida se transforma no mundo. Então, o que é a felicidade, meu menino?
                Seus olhos velhos me fitaram como se pudessem ver através de minha carne e adentrar em minha alma. Desviei os olhos, constrangido, enquanto verificava o que sua voz me narrou segundos antes: as flores nos rodeavam, o céu firmava um teto sobre nossas cabeças e os pássaros cantavam alegremente. Sim, a vida estava ali, e o mundo não era nada mais que a própria vida, sem a qual não existiria.
                - O senhor que deve me dizer, mestre. O que é a felicidade?
                Ele meneou a cabeça, pesaroso.
                - Meu jovem, se pergunto, é porque não sei. Diga-me, o que é a felicidade? É um sentimento?É um estado de espirito? É um alvo?
                - Mestre... Não entendo onde quer chegar.
                - Meu menino, vivi 87 anos, e não faço ideia se sou ou não feliz. Do que adiantou todos meus anos, se não sei o básico, meu rapaz? Minha vida de nada serviu, enfim. Sou velho, vou morrer, mas não sou mais sábio do que um menino de braço.
                - Mestre! Não diga isso!
                O velho levantou seus dedos trêmulos e minhas palavras desapareceram de meus lábios. Os olhos do mestre estavam fixos no nada, e, por uns instantes, seu silêncio me fez cativo. Concentrei-me em sua respiração, para tranquilizar à mim mesmo e comprovar à minha consciência que meu mestre ainda estava vivo - e respirava. Quando seus olhos se fixaram em mim novamente, não vi nada mais do que cansaço e pedidos. Sua voz me abraçou com calma:
                - Peço uma coisa a você, meu rapaz... Já não posso sair daqui, nem sair em busca daquilo que desejo. Sei que isso é egoísmo, e, nós monges não devemos sentir sentimentos tão pecaminosos; mas... Meu menino, peço que saia daqui, que vá para longe, que viaje pelo mundo e volte... E me responda à pergunta mais simples do mundo, que, apesar disso, não sabemos responder: o que é a felicidade? O que é ser feliz?
                No dia seguinte à nossa conversa, o céu parecia choroso. A chuva queria descer, mas não descia. Os pássaros cantavam longe, e vi uns olhos espertos me observando, vindo da mata. O suspiro do vento me deu forças para olhar meu mestre com os olhos vazios, e dizer:
                - Mestre, eu vou voltar. Vou voltar, e responder as perguntas que te inquietam. Prometa-me que estará aqui, mestre.
                Ele se limitou a sorrir, um sorriso tão oco, que tive a certeza de que meu velho mestre não me prometia nada... Nós dois sabiamos a verdade, mas tentamos escondê-la por debaixo do nosso tapete mentiroso: meu mestre... quando eu voltasse, meu mestre não estaria aqui.
                - Até logo, mestre.
                Ele assentiu, enquanto eu começava a caminhar para longe. Virei-me a tempo de olhá-lo nos olhos e ver seu sorriso, agora triste, decorar seus lábios. Virei-me de volta, ignorei minha consciência e segui meu caminho... Meu caminho em busca do único sentimento que meu mestre não entendia e queria sentir... Segui a trilha da felicidade.

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Hm, sei nem o que comentar. (haha). Bem, eu sei que escrevi e tal, mas cogitei a possibilidade de não postar esse texto aqui... E é melhor eu publicar isso aqui antes que desista. ^^
           É até engraçado: no conto de Z35, o meu robozinho procura o amor; já nesse aqui, o rapaz procura a felicidade. Não sei se vou continuara escrever o conto, mas, mesmo assim, acho que devo escolher um nome para ele, não? Eu pensei em Para a felicidade, cruze a esquina , ou A felicidade está na esquina. Haha, sei que dão no mesmo, já que só foram organizados de forma diferente, mas eu realmente gostei da ideia de virar a esquina para achar a felicidade. 

^^
Bem, é só isso. Então, até logo? Ja nee ka? ^^

sábado, 10 de dezembro de 2011

אהבה זה חוסך # 3


Descer até ali, após tantos anos, era estranho. O laboratório se estendia em quilômetros e mais quilômetros de pesquisas, deixando um cheiro torpe a cada passo andado através daquele corredor de equipamentos e substancias estranhas. Um cheiro único, quase afável; o cheiro do conhecimento. E a penumbra azulada decorava as paredes brancas e pálidas, enquanto Z35 andava pelo corredor de mesas. O lugar era imenso, mas Z35 não precisou de guias para chegar até onde queria – ele conhecia muito bem à tudo ali, desde as teias de aranhas que cobriam os cantos das paredes, até o mínimo arranhão na pintura da mesa de seu laboratório.
                Sim, ele conhecia a tudo. Aquela era a coisa mais próxima de ser chamada de “casa”.
                Seguindo em frente, não se deu ao trabalho de acender as luzes. Seus passos ecoavam no vazio de existência dali, e ele ouvia os guinchos baixos dos ratinhos de laboratório – os últimos que ainda se mantinham vivos. Z35 deixou-se dirigir até onde os corpos humanos estavam, dormindo num sono sem sonhos ou vida, no canto mais isolado daquele grande aposento de pesquisa.
                E eles estavam ali, os corpos nadando naquele liquido que os matinha vivos, presos num grande pote em forma de cilindro, como se fossem animais – peixes dentro de um aquário. Z35 curvou os lábios num sorriso, deixando que a empatia nublasse seus olhos frios de andróide. Do outro lado do vidro cheio daquele liquido, onde o corpo boiava suavemente, ele viu um rosto feminino e simples, o nariz levemente arrebitado e os cabelos negros ondulando na água esverdeada. Não, não era uma beleza perfeita, mas uma beleza simplesmente humana.
                Humana e invejável, apesar disso.
                Z35 aproximou-se e, com uma ordem, todas as luzes do cômodo foram acesas, inundando à tudo com uma luz fria e artificial, tal qual tudo ali. Com um movimento de suas mãos, o liquido das duas capsulas - onde os humanos estavam presos com os rostos cheios de uma ausência de sentimentos - foi se desfazendo, descendo pelo ralo arredondado e deixando, no caminho, somente os corpos em uma posição estranha. Z35 notou a palidez da mulher, e os traços suaves do rosto masculino que estava na outra capsula.
                O peito de ambos se movia lentamente, com uma tranqüilidade fria e quase imoral, enquanto eles dormiam. Sim, aqueles, sim, eram seres – seres vivos, que mereciam a vida e o que Deus lhes guardava para a morte. A vida eterna seria bem aproveitada por aqueles seres... Z35 tinha certeza. Mas e ele e sua espécie? O que aconteceria após suas placas-mãe serem desativadas, e o ferrugem corroer aquela carapaça perfeita e metálica que os sustentavam? Desapareceriam no espaço, deixariam de existir como seres?
                Aquilo nunca parecera justo.
                E essa injustiça era motivo suficiente para fazer de Z35, o salvador de todo um povo, de todo um conjunto de seres que rogavam para ter uma alma.
                Deus... Seus ouvidos deveriam estar abertos para todo tipo de oração – pensou Z35 -, independente de quem ou o que estivesse orando. Todos temos direitos. Todos queremos viver.


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Oi! Quanto tempo, não?
Pois é, confesso que estou um pouco perdida nesse conto que acabaram de ler. Primeiro, porque, originalmente, era para essa estória ser um livro... Ai, já sabe, resumir uma estória um tanto grandinha, para torná-la um conto... é um pouco difícil.  E, segundo, estou numa daquelas fases em que estou cheia de vontade de escrever, mas não sei exatamente o que pôr no papel. E não gostei nem um pouco dessa parte que escrevi. Parece até que, em vez de eu estar melhorando, estou regredindo. Haha.

Mas, enfim, um dia desses eu fiz um desenho. Eu estava pensando na minha pequena Alma, do conto anterior (será que ainda se lembram dela?), mas o que desenhei não tem lá muito a ver com o que eu imaginava dela. Vou botar uma imagem do meu desenho, mas só ignorem minha falta de talento artistico e a qualidade da foto! (rs). EU nem tive coragem de scanear o desenho, acredita? Deixando essa conversa de lado, vou postar logo o desenho e me despedir, ok?


Bem, é isso, e até logo! Acho que vou começar a escrever outro conto, mas não se esqueçam de dizer o que estão achando deste que estou escrevendo agora, certo? Albert-nii-chan, principalmente você (haha).
Ja nee. (Para quem não sabe, Até Logo em japonês)