quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

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Estou seguindo a trilha para a felicidade.

               Era um dia mais ou menos bonito, com um céu tímido e coberto com algumas nuvens brancas, quando meu mestre chamou-me para a conversa mais importante - e assim ele dizia - da minha vida. Ver seu rosto enrugado e seus olhos que pareciam segurar todo o tempo do mundo, sempre me fazia pensar na vida - não exatamente nela, mas no fim desta. Porque as pessoas vivem - e morrem. E eu sentia que logo meu mestre me deixaria... E ele sabia disso, talvez mais que eu ou que a própria natureza.
                Como ele ordenou, sentei-me numa pedra, de frente à seu olhar pesado. As rugas de seu rosto se converteram em um sorriso leve, com alguns dentes faltando por trás de seus lábios antigos, e ele apontou para o céu e para tudo o que está ao nosso redor.
                - Você pode me dizer o que é a felicidade, meu filho?
                Sua voz se arrastou, rasgou meus ouvidos e deixou-me quase sem ação. Eu odiava as sensações sobrenaturais que meu mestre parecia causar em todos. Ele era humano, mas eu não estava acostumado à vê-lo tão fraco. Desde pequeno, sempre imaginei-o como um deus, e pensava que ele nunca morreria.
                Mas a morte vem. De um jeito, ela sempre vem.
                - Felicidade, mestre?
                - A vida está ao nosso redor. Os pássaros cantam, e novas flores nascem todos os dias; as nuvens que cobrem o céu logo se transformam em chuva, e a chuva se transforma em vida, e a vida se transforma no mundo. Então, o que é a felicidade, meu menino?
                Seus olhos velhos me fitaram como se pudessem ver através de minha carne e adentrar em minha alma. Desviei os olhos, constrangido, enquanto verificava o que sua voz me narrou segundos antes: as flores nos rodeavam, o céu firmava um teto sobre nossas cabeças e os pássaros cantavam alegremente. Sim, a vida estava ali, e o mundo não era nada mais que a própria vida, sem a qual não existiria.
                - O senhor que deve me dizer, mestre. O que é a felicidade?
                Ele meneou a cabeça, pesaroso.
                - Meu jovem, se pergunto, é porque não sei. Diga-me, o que é a felicidade? É um sentimento?É um estado de espirito? É um alvo?
                - Mestre... Não entendo onde quer chegar.
                - Meu menino, vivi 87 anos, e não faço ideia se sou ou não feliz. Do que adiantou todos meus anos, se não sei o básico, meu rapaz? Minha vida de nada serviu, enfim. Sou velho, vou morrer, mas não sou mais sábio do que um menino de braço.
                - Mestre! Não diga isso!
                O velho levantou seus dedos trêmulos e minhas palavras desapareceram de meus lábios. Os olhos do mestre estavam fixos no nada, e, por uns instantes, seu silêncio me fez cativo. Concentrei-me em sua respiração, para tranquilizar à mim mesmo e comprovar à minha consciência que meu mestre ainda estava vivo - e respirava. Quando seus olhos se fixaram em mim novamente, não vi nada mais do que cansaço e pedidos. Sua voz me abraçou com calma:
                - Peço uma coisa a você, meu rapaz... Já não posso sair daqui, nem sair em busca daquilo que desejo. Sei que isso é egoísmo, e, nós monges não devemos sentir sentimentos tão pecaminosos; mas... Meu menino, peço que saia daqui, que vá para longe, que viaje pelo mundo e volte... E me responda à pergunta mais simples do mundo, que, apesar disso, não sabemos responder: o que é a felicidade? O que é ser feliz?
                No dia seguinte à nossa conversa, o céu parecia choroso. A chuva queria descer, mas não descia. Os pássaros cantavam longe, e vi uns olhos espertos me observando, vindo da mata. O suspiro do vento me deu forças para olhar meu mestre com os olhos vazios, e dizer:
                - Mestre, eu vou voltar. Vou voltar, e responder as perguntas que te inquietam. Prometa-me que estará aqui, mestre.
                Ele se limitou a sorrir, um sorriso tão oco, que tive a certeza de que meu velho mestre não me prometia nada... Nós dois sabiamos a verdade, mas tentamos escondê-la por debaixo do nosso tapete mentiroso: meu mestre... quando eu voltasse, meu mestre não estaria aqui.
                - Até logo, mestre.
                Ele assentiu, enquanto eu começava a caminhar para longe. Virei-me a tempo de olhá-lo nos olhos e ver seu sorriso, agora triste, decorar seus lábios. Virei-me de volta, ignorei minha consciência e segui meu caminho... Meu caminho em busca do único sentimento que meu mestre não entendia e queria sentir... Segui a trilha da felicidade.

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Hm, sei nem o que comentar. (haha). Bem, eu sei que escrevi e tal, mas cogitei a possibilidade de não postar esse texto aqui... E é melhor eu publicar isso aqui antes que desista. ^^
           É até engraçado: no conto de Z35, o meu robozinho procura o amor; já nesse aqui, o rapaz procura a felicidade. Não sei se vou continuara escrever o conto, mas, mesmo assim, acho que devo escolher um nome para ele, não? Eu pensei em Para a felicidade, cruze a esquina , ou A felicidade está na esquina. Haha, sei que dão no mesmo, já que só foram organizados de forma diferente, mas eu realmente gostei da ideia de virar a esquina para achar a felicidade. 

^^
Bem, é só isso. Então, até logo? Ja nee ka? ^^

2 comentários:

  1. Por favor, só não coloque 'À Procura da Felicidade' como título.
    Oneeee *-----* Quanto tempo *------*
    Gostei, é bom ter algo novo, mais legal ainda é ter algo descompromissado... Sei lá, parece ser mais divertido quando não temos que ficar esperando a continuação de algo antigo, e encontrar textos novos.
    Por hoje é só o que tenho para comentar. Estou com saudades! Jaa ne.

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  2. Ameii o texto. Adorava seu antingo blog e comecei a ler aqui, mesmo me resentindo, acho que me apeguei a antiga forma... Quero ser escritora e tenho um blog com a minha amiga. E vc gnhou um selo! Sim,, os DOIS blogs ganharam! Visite: http://nosespelhosdaminhavida.blogspot.com/p/selos.html
    Bjuxx de batom preto...Tuiixs'

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