segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Alma


Leia a primeira parte desse conto: Parte 1

1949 - Rio de Janeiro, Brasil.

Alma olhou pela janela do quarto, vendo a extensão da cidade, em sua beleza noturna. As luzes dos candelabros e postes antigos misturando-se com a paisagem - fazendo parte da paisagem -, numa dança bela e incerta. Ela tinha que reconhecer, aqueles trastes sabiam escolher bem seus esconderijos. Aquele devia ser uma das mais belas e caras mansões da cidade.
                Em pensar que conseguiram toda aquela riqueza roubando, matando, extorquindo, invadindo... Sendo injustos... Ela sentia uma repulsa que transformava toda aquela beleza à sua frente, em uma paisagem mórbida e inabitável.
                O mundo era injusto. E as injustiças, depois de anos, persistia como um prêmio.
                Parou de pensar, por um momento. Ela precisava se apressar. Precisava matar. Agora só lhe faltava mais uma lista de 3 pessoas. Somente mais três assassinos, e pronto. Ela estaria livre - livre para morrer em paz.
                Ela não queria viver. Não mesmo. O que ela queria, era paz de espírito. Ela queria vingança. Ninguém esperava que a garota sobrevivesse, que se tornasse aquele monstro que é agora. Como explicar sua transformação? O ódio a transmutou num ser sedento de sangue? Ou será que foi o desespero? Quem sabe ambos. Quem sabe nenhum. Podia não ter explicação. As coisas só aconteciam, assim como sua família apenas foi mais uma vitima da máquina de guerra.
                Alma virou-se de costas para a janela, naquele morro alto e desolado, e foi em direção à escada. Sabia onde sua próxima vitima estava, e mediu seus passos como se fossem filhos pródigos. Subiu, um a um, os degraus, sentindo cada passo se tornar uma pontada de esperança – esperança de acabar logo com aquilo. Seus pés mal pisavam o chão, de tão pequenos e suaves, o que contrastava – e ela bem o sabia – com a selvageria de seus olhos não mais inocentes.
                Junto com sua família assassinada, tudo fora junto. Inclusive sua bondade e bom-senso.
                Chegou ao fim da escada. E lá estava sua vitima, num quarto, sentada numa cadeira alta e rica. Seus olhos estavam fechados enquanto uma vitrola vacilava com uma música qualquer. Alma sorriu. Que bela morte Himmler, um dos homens de confiança do Führer, teria – até mesmo com um fundo musical trágico! Como se lendo seus pensamentos, Himmler virou-se para ela, de sua cadeira rica. Ele franziu a testa, intrigado, antes de reconhecer Alma, olhando-a assustado.
                Ela podia ler seus pensamentos: “Ela está viva? É um fantasma? Veio me buscar?”. Alma sorriu. Sua mente vagou alguns quilômetros do passado... Para quando viu sua felicidade vacilar, e, lentamente, se despedaçar no chão de madeira da sua sala-de-estar. Voltemos  alguns anos, por favor;  entremos dentro das memórias reais e nefastas da pequena Alma.

1941 – Num bairro qualquer de Berlim. Todos ainda viviam razoavelmente bem, a guerra ainda era um assunto ignorável, para aqueles que a queriam ignorar.

A pequena garota ouviu um ruído, um grito agudo, no quarto de seus pais. Ficara com medo, pensara em tudo: monstros! Monstros invadiam sua casa, talvez. Por isso correu, desesperada, na direção contrária aos gritos. Estava com medo. Era só uma criança.
                Sua irmã mais velha saiu da cama, também concentrando-se no grito. Não imitou sua irmã caçula, e correu para o quarto de onde o desespero parecia imergir. Deu um grito também. “Alma, fuja!”. Sua voz estava desesperada, vazia, cheia, morrendo.
                Alma não conseguiu. Não podia mais correr, seu medo agora a fazendo voltar para onde sua irmã tinha corrido. Os gritos continuavam, e pediam, suplicavam por piedade. Alma não entendeu o que acontecia. Chegou à porta do quarto dos pais, de onde vinha toda a confusão. Então viu. Viu os homens. Estavam armados. E seus pais, no chão; o pai, um homem loiro, abraçava a mulher, com os olhos negros de terror; e a mãe, uma mulher de rosto fino e belo, chorava. Sua irmã estava nos braços de um dos 6 homens – talvez fossem menos, talvez mais (Alma não havia aprendido a contar muito bem, e errava as contas quando nervosa). O homem, num abraço apertado, espremia seu corpo contra a irmã, agora, já com o vestido rasgado.
                Ninguém parecia notar a pequena Alma. O homem jogou a irmã no chão, deitando-se em cima dela. Percorreu o corpo da garota, que não passava de seus 17 anos, com a mão, e ela gritava por clemência. Alma não entendeu o que ele fez a seguir, mas viu a irmã gemer de dor, enquanto ele fazia coisas erradas com ela. Alma não queria ver. Da irmã, saia sangue. Sangue, e os gritos de dor. Os pais pediram que parassem, gritaram para que não fizesse aquilo  “Ela é apenas uma criança! Não pode violá-la, ela é uma criança!”. E, tão rápido quanto o homem começara, rindo junto com os outros, acabara: com sua arma fantástica, ele deu um tiro. E Alma viu o rosto de sua irmã mais velha se transformar numa máscara de morte.

1949 – Rio de Janeiro.
- Adeus, desgraçado. – a voz de Alma saiu como um sussurro fraco, antes de saltar em cima de Himmler, o homem que violara sua irmã e a matara em seguida naquela noite fatídica. Com suas mãos pequenas, e ignorando muito bem a expressão de puro terror de Himmler, quebrou-lhe o pescoço e cravou suas presas sedentas naquele pescoço podre.
                Ela se sentia suja. O sabor da vingança fedia à perfume alemão e tinha cabelos louros, como o de Himmler.

Continua
--------------------------------------------------------------------

Aff, saiu um capitulo mega enorme, não é? D;  Foi mal, acho que me empolguei demais na narração. Enfim, espero que a estória não esteja muito confusa, nem muito chata. Para mim, Alma já se tornou minha heroinazinha preferida. Devo informar - só mesmo para não deixar isso vago - que Himmler realmente existiu, apesar dessa estória ser ficticia. Himmler era um dos homens de confiança de Hitler, assim como eu já disse na estória, e ele foi o principal responsável pela dizimação de judeus nos campos de concentração. 

Bem, era só isso mesmo. Sério, espero que a estória não tenha ficado muito chata - porque tenho a impressão de que ficou D;. E botei o nome do conto de Alma mesmo, já que ela é a personagem principal... Por enquanto, é só. 

Ja nee. *-*




4 comentários:

  1. *-* Gostei.
    Oneesama, você já assistiu Hellsing? Se você assistir os OVAs que eu te passei, a história é meio parecida (sem o toque trágico que só você sabe dar).
    Alma, muito bom... Se eu conheço poucos por centos seus, sei que algo vai acontecer com Alma nos próximos capítulos. Ansioso. Ansioso.
    Ela saiu de Berlim, foi até o Rio só para matá-lo? Onde estará o próximo da lista? Ele tem alguma ligação com Alma? Tudo bem, vou parar com a narrativa de novela mexicana e dar um tchau.

    Ja nee, ansioso por mais contos! ~

    ResponderExcluir
  2. Que trágico! Quase me arrepiei ao ler as lembranças de Alma! Um horror! Podia até ouvir os gritos!

    Essa estória está se tornando totalmente um vicio pra mim!

    ResponderExcluir
  3. veeeeeeeeeeeelho que foooda! (desculpa , mas essa é a palavra que descreve essa sua estoria)
    adorei de maaaais, nee-chan *-*

    ResponderExcluir
  4. Oneesamaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... Quero continuar a ler seus pensamentoooooooooooooooooooooooos!!! Onegaaaaaaai, faça algo diário!!! É tão bom quanto conversar com você u.u... Fico morrendo de saudades quando não vejo nada no blog!

    ResponderExcluir