Leia a primeira parte desse conto: Parte 1
1949 - Rio de Janeiro, Brasil.
Alma olhou pela janela do quarto, vendo a extensão da
cidade, em sua beleza noturna. As luzes dos candelabros e postes antigos
misturando-se com a paisagem - fazendo parte da paisagem -, numa dança bela e
incerta. Ela tinha que reconhecer, aqueles trastes sabiam escolher bem seus
esconderijos. Aquele devia ser uma das mais belas e caras mansões da
cidade.
Em
pensar que conseguiram toda aquela riqueza roubando, matando, extorquindo,
invadindo... Sendo injustos... Ela sentia uma repulsa que transformava toda
aquela beleza à sua frente, em uma paisagem mórbida e inabitável.
O mundo
era injusto. E as injustiças, depois de anos, persistia como um prêmio.
Parou
de pensar, por um momento. Ela precisava se apressar. Precisava matar. Agora só
lhe faltava mais uma lista de 3 pessoas. Somente mais três assassinos, e
pronto. Ela estaria livre - livre para morrer em paz.
Ela não
queria viver. Não mesmo. O que ela queria, era paz de espírito. Ela queria vingança.
Ninguém esperava que a garota sobrevivesse, que se tornasse aquele monstro que
é agora. Como explicar sua transformação? O ódio a transmutou num ser sedento
de sangue? Ou será que foi o desespero? Quem sabe ambos. Quem sabe nenhum.
Podia não ter explicação. As coisas só aconteciam, assim como sua família
apenas foi mais uma vitima da máquina de guerra.
Alma
virou-se de costas para a janela, naquele morro alto e desolado, e foi em
direção à escada. Sabia onde sua próxima vitima estava, e mediu seus passos
como se fossem filhos pródigos. Subiu, um a um, os degraus, sentindo cada passo
se tornar uma pontada de esperança – esperança de acabar logo com aquilo. Seus
pés mal pisavam o chão, de tão pequenos e suaves, o que contrastava – e ela bem
o sabia – com a selvageria de seus olhos não mais inocentes.
Junto
com sua família assassinada, tudo fora junto. Inclusive sua bondade e
bom-senso.
Chegou
ao fim da escada. E lá estava sua vitima, num quarto, sentada numa cadeira alta
e rica. Seus olhos estavam fechados enquanto uma vitrola vacilava com uma
música qualquer. Alma sorriu. Que bela morte Himmler, um dos homens de
confiança do Führer, teria – até mesmo com um fundo musical trágico! Como se
lendo seus pensamentos, Himmler virou-se para ela, de sua cadeira rica. Ele
franziu a testa, intrigado, antes de reconhecer Alma, olhando-a assustado.
Ela
podia ler seus pensamentos: “Ela está viva? É um fantasma? Veio me buscar?”.
Alma sorriu. Sua mente vagou alguns quilômetros do passado... Para quando viu
sua felicidade vacilar, e, lentamente, se despedaçar no chão de madeira da sua
sala-de-estar. Voltemos alguns anos, por
favor; entremos dentro das memórias
reais e nefastas da pequena Alma.
1941 – Num bairro qualquer de Berlim. Todos ainda viviam
razoavelmente bem, a guerra ainda era um assunto ignorável, para aqueles que a
queriam ignorar.
A pequena garota ouviu um ruído, um grito agudo, no quarto
de seus pais. Ficara com medo, pensara em tudo: monstros! Monstros invadiam sua
casa, talvez. Por isso correu, desesperada, na direção contrária aos gritos.
Estava com medo. Era só uma criança.
Sua
irmã mais velha saiu da cama, também concentrando-se no grito. Não imitou sua
irmã caçula, e correu para o quarto de onde o desespero parecia imergir. Deu um
grito também. “Alma, fuja!”. Sua voz estava desesperada, vazia, cheia,
morrendo.
Alma
não conseguiu. Não podia mais correr, seu medo agora a fazendo voltar para onde
sua irmã tinha corrido. Os gritos continuavam, e pediam, suplicavam por
piedade. Alma não entendeu o que acontecia. Chegou à porta do quarto dos pais,
de onde vinha toda a confusão. Então viu. Viu os homens. Estavam armados. E
seus pais, no chão; o pai, um homem loiro, abraçava a mulher, com os olhos
negros de terror; e a mãe, uma mulher de rosto fino e belo, chorava. Sua irmã
estava nos braços de um dos 6 homens – talvez fossem menos, talvez mais (Alma
não havia aprendido a contar muito bem, e errava as contas quando nervosa). O
homem, num abraço apertado, espremia seu corpo contra a irmã, agora, já com o
vestido rasgado.
Ninguém
parecia notar a pequena Alma. O homem jogou a irmã no chão, deitando-se em cima dela. Percorreu
o corpo da garota, que não passava de seus 17 anos, com a mão, e ela gritava
por clemência. Alma não entendeu o que ele fez a seguir, mas viu a irmã gemer
de dor, enquanto ele fazia coisas erradas com ela. Alma não queria ver. Da
irmã, saia sangue. Sangue, e os gritos de dor. Os pais pediram que parassem,
gritaram para que não fizesse aquilo “Ela
é apenas uma criança! Não pode violá-la, ela é uma criança!”. E, tão rápido quanto
o homem começara, rindo junto com os outros, acabara: com sua arma fantástica,
ele deu um tiro. E Alma viu o rosto de sua irmã mais velha se transformar numa
máscara de morte.
1949 – Rio de Janeiro.
- Adeus, desgraçado. – a voz de Alma saiu como um sussurro
fraco, antes de saltar em cima de Himmler, o homem que violara sua irmã e a
matara em seguida naquela noite fatídica. Com suas mãos pequenas, e ignorando
muito bem a expressão de puro terror de Himmler, quebrou-lhe o pescoço e cravou
suas presas sedentas naquele pescoço podre.
Ela se
sentia suja. O sabor da vingança fedia à perfume alemão e tinha cabelos louros,
como o de Himmler.
Continua
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Aff, saiu um capitulo mega enorme, não é? D; Foi mal, acho que me empolguei demais na narração. Enfim, espero que a estória não esteja muito confusa, nem muito chata. Para mim, Alma já se tornou minha heroinazinha preferida. Devo informar - só mesmo para não deixar isso vago - que Himmler realmente existiu, apesar dessa estória ser ficticia. Himmler era um dos homens de confiança de Hitler, assim como eu já disse na estória, e ele foi o principal responsável pela dizimação de judeus nos campos de concentração.
Bem, era só isso mesmo. Sério, espero que a estória não tenha ficado muito chata - porque tenho a impressão de que ficou D;. E botei o nome do conto de Alma mesmo, já que ela é a personagem principal... Por enquanto, é só.
Ja nee. *-*
*-* Gostei.
ResponderExcluirOneesama, você já assistiu Hellsing? Se você assistir os OVAs que eu te passei, a história é meio parecida (sem o toque trágico que só você sabe dar).
Alma, muito bom... Se eu conheço poucos por centos seus, sei que algo vai acontecer com Alma nos próximos capítulos. Ansioso. Ansioso.
Ela saiu de Berlim, foi até o Rio só para matá-lo? Onde estará o próximo da lista? Ele tem alguma ligação com Alma? Tudo bem, vou parar com a narrativa de novela mexicana e dar um tchau.
Ja nee, ansioso por mais contos! ~
Que trágico! Quase me arrepiei ao ler as lembranças de Alma! Um horror! Podia até ouvir os gritos!
ResponderExcluirEssa estória está se tornando totalmente um vicio pra mim!
veeeeeeeeeeeelho que foooda! (desculpa , mas essa é a palavra que descreve essa sua estoria)
ResponderExcluiradorei de maaaais, nee-chan *-*
Oneesamaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... Quero continuar a ler seus pensamentoooooooooooooooooooooooos!!! Onegaaaaaaai, faça algo diário!!! É tão bom quanto conversar com você u.u... Fico morrendo de saudades quando não vejo nada no blog!
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