sexta-feira, 29 de setembro de 2017

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sobre o vazio do agosto em setembro

Hoje já se passaram 3 dias, mas o vazio continua o mesmo. Acho que pior. Mas quem eu quero enganar? Esse vazio sou eu, eu sempre fui assim. Motivos ou não são desculpas ou falta delas. Continuarei solitária, enquanto todas as outras pessoas brilharem. Esses dias eu ando tendo problema com estrelas, todas me parecem bonitas demais para que eu me aproxime.

Eu só quero morrer. Não sou uma estrela; só queria não brilhar. Sou um buraco negro. Vazio. Me falta, agora, a arma pra tirar minha vida de uma vez. Meu desejo de morrer é meu novo motivo de vida, eu acho.

Não tenho amigos ou esperança de tê-los. Eles partiram há alguns anos. Eu tenho dois amigos, mas talvez seja melhor me afastar deles. Me afogarei sozinha, é o que meu eu pensa.

 01/09/2015

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A explicação do afogamento

Você sabe que ele, que os outros, que qualquer outro, não entende. Ninguém nunca entendeu. Você entende? Nem mesmo você. Você nem ao menos sabe o que quer que as pessoas entendam. Não sabe o que quer entender em si mesma. Não sabe o que é, o que pensa, ainda que tenha medo de seus pensamentos que te dizem verdades o tempo inteiro.

Sabe só que é verdade que o mar é forte a noite. Que a correnteza já matou muitos. E que você não sabe nadar… E que mora perto da praia. E que ninguém achará estranho se você entrar no mar esse horário. Ninguém te verá. Sabe que encontrarão seu corpo algum dia. Talvez daqui a 3 dias, talvez daqui a 5, 7 dias. Sabe que algum dos amigos vai dar por sua falta, talvez daqui a 3 dias, talvez daqui a 5, 7 dias.

Sabe que alguns dele, os que mais importam, ficarão tristes. Sentirão uma dor que você conhece, o medo do inexplicável, perguntarão uns aos outros se podiam ter feito algo. Não podiam. Eu estou dizendo isso, ninguém realmente podia.

Esse texto talvez seja o princípio de tudo. Do fim. Do fim para mim, e não para você e os outros. Creio nisso, agora creio em tudo.

05/07/2017

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Finitude

nada é para sempre. ela sabia, mas deixou-se enganar por um punhado de anos, enquanto a felicidade durava e até um pouco depois dela acabar. como um filme que sabemos que vai ter fim em 2 horas, mas alimentamos a ilusão de que durará uma vida, porque a futilidade do fim nos incomoda.

e incomodou ela. mas um dia ela precisou aceitar.

Acabou.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A morte não sabe sussurrar

a morte chama, e chama tão alto que meu coração sente, o guarda no fim da rua escuta, o casal transando do outro lado da cidade também. todos ouvem, ninguém sabe de onde vem.

pode vir de mim, do outro, só sei que escuto tão alto que quero atender o pedido, quero fazer o possível, alimentar o desejo que nasceu do nada.

mas o que é o nada, a não ser a reunião de tudo que você viu em sua vida? o que é o nada, senão a morte em vida, vivida e programada?

não me julguem aqueles que não entendem. não tentem me entender aqueles que nunca me viram, ou me viram e não sentiram. eu não sou o que sou e desconheço o sentido de tudo isso.

não me julguem, não me amem, ou me amem perto, depois longe, para então não verem a morte. a concretização da morte. morte minha, mas pode ser do outro lado que há em mim, do lado tão verdadeiro quanto obscuro e limpo.

a morte fala. e ela está chamando.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Quando você aceitar que não há nada, então tudo ficará bem. Não há nada para amar nem para o amor, e as relações cheias de vazio partirão junto com qualquer esperança doentia. Doença, essa é a palavra certa para o que chamam de vida.

Mas quando você aceitar que não há nada... Ah, minha pequena menina. Tudo ficará bem.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

As formas doentias do mundo, disformes, entoando uma canção lúgubre que parece o latido de um cachorro cansado. Enquanto isso, meu corpo é uma parafernália trêmula, dançando, quebrando tudo em si mesmo, esperando, vomitando lágrimas, água, a vida. Está é a própria vida em morte.