a morte chama, e chama tão alto que meu coração sente, o guarda no fim da rua escuta, o casal transando do outro lado da cidade também. todos ouvem, ninguém sabe de onde vem.
pode vir de mim, do outro, só sei que escuto tão alto que quero atender o pedido, quero fazer o possível, alimentar o desejo que nasceu do nada.
mas o que é o nada, a não ser a reunião de tudo que você viu em sua vida? o que é o nada, senão a morte em vida, vivida e programada?
não me julguem aqueles que não entendem. não tentem me entender aqueles que nunca me viram, ou me viram e não sentiram. eu não sou o que sou e desconheço o sentido de tudo isso.
não me julguem, não me amem, ou me amem perto, depois longe, para então não verem a morte. a concretização da morte. morte minha, mas pode ser do outro lado que há em mim, do lado tão verdadeiro quanto obscuro e limpo.
a morte fala. e ela está chamando.